Alerta de gatilho:

Se você está com dificuldades de lidar com a perda de uma pessoa querida em função da pandemia, procure o auxílio de um especialista. Existem muitos profissionais e entidades atendendo, de forma gratuita e online, desde março de 2020, em diferentes cidades brasileiras. A pandemia e suas consequências também são grandes desafios para a saúde mental.  Não fique só. Busque ajuda.

Um recado para quem partiu

Vocês, que até agora somam quase 300 mil vítimas da pandemia no Brasil, não cairão no esquecimento. Tenho certeza que as pessoas sensíveis que aqui ficaram não deixarão isso acontecer. Para que vocês sejam para sempre lembrados, foram criados memoriais virtuais. São realizadas homenagens. Pois quem ainda tem humanidade dentro de si não consegue deixar de fazer parte de um luto coletivo ainda sem prazo para acabar.

Homenagens

Confesso ser difícil escrever para quase 300 mil pessoas diferentes. Mas acho que um recado importante é garantir que todos, independente de suas trajetórias em vida, deixaram saudade. A cada dia, nós, os sobreviventes, lemos, com lágrimas nos olhos, os relatos comoventes de histórias de vidas interrompidas pela mesma doença. Por isso, choramos pelos nossos mortos e pelos mortos que não conhecemos em vida.

Empatia e solidariedade

Lamento dizer aos que não estão entre nós, que vivemos em um Brasil cada vez mais triste e desamparado. Assistimos, com ódio e impotência, um presidente irresponsável que debocha do sofrimento do povo. Um governante que não demonstra pesar por vocês, as vítimas dessa grande incompetência e falta de articulação por parte do Executivo federal. 

Um recado final

Mas a questão, sabemos, vai além da política. Precisamos dar apoio aos mais fragilizados pelo luto. Pois tantas perdas resultam em uma dor difícil de lidar. Essa carta é uma pequena homenagem a  vocês, que não já estão neste plano. E uma tentativa de consolo a quem sofre com isso. 

Com amor e respeito,

Flávia

PS: Deixo, abaixo, duas sugestões de leitura aos enlutados. Espero que sejam úteis.”

 

Escrever pode ser terapêutico

Para quem sofre com uma perda recente, uma forma de extravasar a dor é escrevendo. Uma inspiração literária para refletir sobre essa forma de lidar com o luto é a obra Cartas de amor aos mortos,  de Ava Dellaira. Laurel, a protagonista desta narrativa, é motivada, por uma professora, a criar textos para alguém que já se foi. A partir desta tarefa escolar, a personagem escreve para personalidades como Amy Winehouse e Kurt Cobain. Até entender que precisa expressar a dor pela perda de alguém muito mais próximo.

Luto infantil

Se o luto já é difícil para adultos, o processo é ainda mais sensível para crianças, que têm dificuldade para entender a finitude da vida. Muitas vezes, na tentativa de preservar a inocência dos pequenos, há um silenciamento sobre o assunto. Porém, ao não explicar o conceito de morte e não abordar a perda de um familiar, a reação infantil pode ser de medo, insegurança ou culpa. Para ajudar a falar sobre o assunto, sugiro o livro O vovô não vai voltar?, de Carmem Beatriz Neufeld e Aline Henriques Reis. Também abordamos o delicado tema do luto infantil no podcast Cantinho da Leitura, do Vós.

Imagem: Debby Hudson/Unsplash

 

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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