TODAS
Cansaram de esperar chegar o dia
Quando a voz da autoridade
Não por medo ou piedade
Lhes diria
Que finalmente poderiam
Desfrutar a liberdade
Nas entranhas mais profundas
Nas vontades fecundas
Sorveram a coragem tribal
O mesmo fogo carnal
Acalentou as memórias
Resgatou as histórias
Da mulher original
Nesta fonte elemental
De beleza sem igual
Juntaram-se às demais
Todas as fêmeas surgiram
Em coro silencioso rugiram
O brado atemporal
‘Nenhuma a menos’ jamais.

O texto acima é de autoria da poeta Daniela Boeira Espíndola e foi escrito especialmente para publicação aqui na coluna Voos Literários. Residente em Porto Alegre (RS), a poeta começou a escrever em suas redes sociais após ficar em isolamento devido ao diagnóstico de Covid-19, há alguns meses. Sozinha em seu quarto, restaram os anseios, angústias e o desejo de expressar-se de alguma forma.

Surgia, assim, o hábito diário de postar poemas com temáticas diversas, mas com o feminino e o feminismo como uma constante.  Daniela também escolhe uma imagem de algum artista plástico de sua preferência para publicar junto com cada texto. Para a poesia escrita para o Vós, sua reflexão partiu do despertar coletivo feminino, que busca resgatar a força no sagrado. A imagem escolhida para acompanhar o poema “Todas” é de Jean Fry,  uma artista que tem como inspiração as mulheres indígenas norte-americanas.

ENTREVISTA

Para quem ficou curioso para ler mais textos da poeta, informo que, por enquanto, ela não tem livros publicados. Espero que após a repercussão positiva em torno de seu trabalho, essa situação mude em breve. Da minha parte, asseguro que a qualidade literária de seus poemas é evidente, como vocês podem conferir em seu perfilRecentemente, Daniela e sua filha Glória, que é musicista, participaram de uma entrevista no perfil da minha produtora no Instagram. Na live, a poeta comenta seu processo criativo e lê alguns de seus textos, entre outros assuntos.

Imagem de capa: Women’s Circle Mandala – Jean Fry/Reprodução 

 

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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