Vivemos uma crise política e institucional em meio a uma pandemia no Brasil. Notícias sobre crimes racistas aqui e nos Estados Unidos ferem ainda mais nossa sensibilidade aflorada pelo isolamento ou distanciamento social. Saber que existem muitas pessoas passando fome nas ruas e nem sempre poder ajudar também é um fator de angústia. Além disso, não podemos encontrar com nossos amigos, não podemos abraçar nossos parentes que moram longe. Estamos sobrecarregados trabalhando dentro de casa, estressados se precisamos trabalhar na rua ou preocupados com o desemprego. Quem mora sozinho, pode ter dificuldades em lidar com a solidão. Quem divide o ambiente doméstico com um parceiro ou família grande, pode estar sofrendo com a convivência intensa. 

FALTA DE CONCENTRAÇÃO

Nesse panorama tão difícil, muitas vezes nos falta concentração para ler. Nesses casos, pode-se buscar livros que não tenham a obrigação da leitura corrida ou que tenham sido criados com o intuito de serem consultados diversas vezes. Outra sugestão é ler por puro prazer, sem pensar em prazos ou metas a serem cumpridas. 

DICAS DE LEITURA

Com o objetivo de estimular a leitura e tentar ajudar a segurar a barra desse Brasil 2020, a coluna Voos Literários selecionou alguns títulos que talvez ajudem a enfrentar determinadas  situações.

Se o problema é solidão:

A Parte que Falta, de Shel Silvertein, é um livro infantojuvenil mas que aborda o sentimento de incompletude, que pode atingir todas as pessoas em diferentes fases da vida. É uma obra ilustrada e de fácil leitura, mas não se engane: a profundidade do texto é grande.

Se a sua dificuldade é a convivência intensa:

Comunicação não-violenta, de Marshall B. Rosenberg, é um manual para ser consultado muitas vezes. Sugiro principalmente para melhorar a relação com pessoas que amamos, nas pequenas divergências domésticas que podem ser amplificadas pela quarentena.

Se a intenção é tentar ficar um pouco menos estressado:

A meditação pode ser um caminho para buscar o equilíbrio mesmo em tempos tão difíceis. Para quem não é praticante, começar é um desafio. Um dos clássicos do gênero indicado por especialistas é Atenção Plena – Mindfulness, de Danny Penman e Mark Williams. 

Se os casos atuais de racismo mostram que é hora de se posicionar:

Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro, é uma leitura obrigatória para quem quer aprofundar o conhecimento sobre temas como discriminação e racismo estrutural. São 11 capítulos curtos, em que entendemos que a luta precisa ser de todos e está em pequenas ações cotidianas.

Se estiver equilibrado para refletir sobre política:

Bolsonaro tem tirado o sono, a paciência e provocado sentimentos ruins, como raiva e indignação, em pessoas com ideias e ideais antifascistas. Mas vai que você aí ainda tem energia para tentar entender como um governante desse tipo foi parar no poder? Uma sugestão é Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt, que examina as origens históricas de movimento totalitários, como o nazismo.

Se não entende as atitudes de bolsonaristas e negacionistas: 

Machado de Assis faz uma divertida reflexão sobre os limites da sanidade mental em O Alienista. Uma leitura curta e interessante sobre a percepção da loucura, que pode ser usada como um paralelo para o Brasil atual, com tantas atitudes tresloucadas do presidente e agressividade de seus seguidores com quem não concorda com as ideias de relativizar a pandemia.

VAI PASSAR

Por fim, se não estiver com vontade de ler nada agora, não se cobre. O momento é complicado mesmo e cada pessoa reage de uma forma. O principal é cuidar de si e de quem está por perto. Vai passar. 

 

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

Comentários no Facebook