Volta e meia, me pego pensando sobre como eu, mesmo sendo mulher e adepta do feminismo, leio poucos textos literários escritos por mulheres. Mas vocês já se perguntaram a razão de, em geral, lermos mais livros escritos por homens? Entre os motivos, eu acredito que esteja o pouco destaque dado à literatura feita por mulheres.

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Um levantamento divulgado no ano passado revelou que no Brasil, desde 1941, as mulheres ganharam só 17% do total de premiações dos maiores eventos literários do país

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Essa matéria também revela que há uma crença de que as escritoras produzem “literatura feminina”, como se fosse uma categoria menos relevante.

Outro dado que me chamou a atenção foi sobre a literatura beat. Eu sempre amei as obras escritas pelos doidos da geração beatnik, em especial Jack Keroauc e seu clássico On The RoadE eu nunca tinha parado para pensar porque não lia textos de mulheres nesse movimento literário. Não existiam ou não ganharam visibilidade? Pois ao ler um texto do sensacional projeto As Minas e a História descobri que existiram, sim, escritoras beatPorque não foram reveladas na época? Observem essa resposta do poeta Gregory Corso:

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“Tinha mulheres sim, eu conheci elas, suas famílias puseram elas em hospícios, foram parar no eletrochoque. Nos anos 50, se você fosse homem, dava para ser rebelde, mas se fosse mulher, a família te interditava.

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Essa matéria traz nomes de cinco escritoras: Elise Cowen (na foto acima com um dos ícones do movimento beat, o escritor Allen Ginsberg), Hettie Jones (que ilustra a capa), Denise Levertov, Joyce Johnson e Diane Di Prima. Para conhecer mais a obra das escritoras dessa época, recomendo a leitura do livro Meninas que Vestiam Preto, à venda aqui.

Em pleno século 21, ainda é muito necessário e louvável quando aparecem iniciativas destinadas a dar visibilidade para as mulheres na literatura. Destaco aqui uma proposta da Editora Calamares, de Minas Gerais, que está selecionando textos para uma Coletânea de Escritoras. Nossa intenção é que essa publicação seja impressa, anual e tenha seu primeiro número lançado em 2018. Para o processo de seleção dos textos que vão compor esse primeiro número, estamos com uma chamada aberta até o dia 15 de março de 2018.” Outras informações sobre a seleção estão aqui.

E, depois de escrever esse texto, coloquei com uma das minhas metas para 2018 ler mais livros escritos por mulheres.

Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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