Em meio ao momento tenso que atravessamos no Brasil, o mundo perdeu um dos maiores escritores de todos os tempos. O norte-americano Philip Roth escreveu textos considerados polêmicos e sofreu acusações pessoais de misoginia, principalmente de quem mistura o enredo de obras literárias com a vida real. Entretanto, a excelência de seu trabalho  é inegável, tendo recebido prêmios reconhecidos, como o Pulitzer de ficção pelo livro Pastoral Americana.

O jornalista e radialista Paulo Moreira, um especialista em jazz que também saca muito de Literatura, escreveu em seu perfil pessoal no Facebook um relato precioso sobre sua relação com as obras de Roth. Reproduzo o texto aqui, com sua devida autorização:

“Quando eu tinha uns 16 anos, lá nos idos dos anos 70, alguém me falou de um livro muito engraçado chamado Complexo de Portnoy, cujo autor era um escritor judeu, Phillip Roth. Eu li numa edição de bolso – é, na época, tinha livro de bolso estilo americano – e nunca mais larguei o cara. Lembro que comecei a ler o Pastoral Americana na praia, numa noite de verão e não consegui largar. Só parei às 5 da manhã porque o sono me venceu. Phillip Roth é um daqueles escritores que até os livros que não são muito bons te fazem pensar e refletir. A partir dele, comecei a prestar a atenção nos outros escritores judeus, tipo John Updike e Isaac Bashevis Singer. Tenho todos os livros que foram lançados no Brasil nos últimos 20 anos e ainda resgatei alguma coisa nos sebos. Confesso que fiquei chateado quando ele disse que iria parar de escrever mas depois entendi que sua missão estava cumprida. […] O Ewan McGregor dirigiu seu primeiro filme baseado neste livro (Pastoral Americana). Como sempre, o filme é legal, mas empalidece perante as descrições e o estilo do Phillip. Mas vale a pena conferir. Tem no Netflix.”

Flávia Cunha
Author

Jornalista, formada pela Famecos (PUCRS), e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Apaixonada pela obra de Caio Fernando Abreu, uniu dois interesses e analisou o trabalho do escritor gaúcho como jornalista. Entre suas preferências literárias também estão, entre outros, García Márquez, Ernest Hemingway, Érico Veríssimo, Carol Bensimon e Daniel Galera. Não necessariamente nessa ordem. É fissurada por café e rock n’roll.

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