Desculpem, leitores de bom gosto, mas os cafonas permanecem em alta em 2021. É touro de ouro, campanha contra Fernanda Montenegro e Gilberto Gil na Academia Brasileira de Letras, defesa da “consciência humana” para negar o racismo, entre outras muitas bizarrices. Enquanto isso, os preços dos alimentos não param de subir, assim como o valor dos combustíveis. Mas sobre isso os cafonas preferem não protestar. Até porque, para este grupo, qualquer governo é melhor que a “ditadura comunista do petê”.  

Elite pobre de espírito

Não que todo o cafona ainda seja a favor de Jair Bolsonaro e sua forma tosca de governar. Afinal, depois de tantos vexames internacionais, não pega bem para quem é da elite seguir defendendo o bolsonarismo. Então, muitos dividem-se entre apostar em Sérgio Moro ou em outras alternativas da terceira via. Tudo para evitar que Lula retorne ao poder mesmo que o ex-presidente tenha sido elogiado por lideranças em tour pela Europa. O que interessa mesmo é a desigualdade brasileira aumentar cada vez mais. Com isso, os cafonas tão pobres que só tem dinheiro se sentirão superiores a quem passam fome. É tudo uma questão de mérito, dizem. Os cafonas que foram contrários a uma atriz e a um músico negro na ABL ficaram calados quando um neurocirurgião branco e de sobrenome famoso virou imortal na Academia. Para eles, o Brasil perfeito não precisa ter diversidade alguma. 

E nós?

Enquanto isso, seguimos tentando resistir de alguma forma. Apoiando projetos sociais e não perdendo a indignação com os absurdos propagados pelos cafonas. Em 2020, escrevi um texto alertando que os canalhas não suportam poesia. E foi com algum alento que recebi a notícia de 5 escritoras serem as finalistas na categoria poesia do prestigiado prêmio Jabuti. Pesquisem as obras de Mar Becker, Maria Lúcia Alvim, Jussara Salazar, Micheliny Verunschk e Prisca Agustoni Pereira. Pois a indicação destas poetas contribui para romper com o machismo também presente no meio editorial brasileiro. 

Esse texto é uma singela homenagem à Fernanda Young, escritora falecida em 2019, que segue fazendo muita falta nos dias atuais.

Imagem: Paulo Pinto / Fotos Públicas

Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

Comentários no Facebook