O poema impactante que dá título a esse texto foi apresentado durante a Oficina Formação e Mediação de Leitura em Literatura Marginal, ministrada pela professora de inglês e doutoranda em Letras pela FURG, Bianca Ramires. A autoria do poema é da página Um Poeta Louco, que não traz muitos detalhes sobre a biografia de seu autor, bastante ativo nas redes sociais. O conceito de “literatura marginal” é bem amplo e integra toda a literatura que foge do circuito tradicional de editoras e também do estilo literário canônico. Nesse sentido, textos literários escritos somente na Internet entram nesse gênero de “literatura marginal”.

O poema é extremamente atual. Vivemos com medo, independente do espectro social e político do qual fazemos parte. Tem quem medo da esquerda, como a atriz Regina Duarte. Tem quem receie a volta da ditadura militar com a guinada para a extrema direita. Os ricos morrem de medo de assaltos. Os pobres honestos, de serem confundidos com criminosos e acabarem sendo vítimas da violência policial.

Essa poesia bateu forte internamente, em especial por esse momento pré-eleições e da ansiedade sobre o que será das nossas vidas e do Brasil daqui para frente. Por isso, lá vai de novo a pergunta:

“O que você faria, se não tivesse medo de nada?”   

Um Poeta Louco sabe das coisas. Sabe como remexer com nossos anseios. Assim como a “literatura marginal” feita nos slams, competições de poesias próprias recitadas em plena rua, como uma forma de resistência e ocupação. No Rio Grande do Sul, os poetry slams têm grande engajamento em diferentes grupos, como o Slam das Minas, em que somente mulheres podem participar, como uma forma de garantir o protagonismo feminino.

A professora Bianca Ramires destacou, durante o evento do qual participei, a performance de Cristal Rocha, de 15 anos, durante um slam, falando sobre feminismo, racismo e estado democrático de direito.  Aqui tem um vídeo dela durante a Final Gaúcha de Slam 2018.

Por fim, vale destacar ainda a “literatura marginal” feita por mulheres negras, como Carolina Maria de Jesus (do agora cultuado Quarto de Despejo), Elisa Lucinda (também conhecida por seu trabalho como atriz e autora do expressivo poema Mulata Exportação que alerta: Porque deixar de ser racista, meu amor,  não é comer uma mulata! e Conceição Evaristo,  Conceição Evaristo, que recentemente tentou uma vaga na Academia Brasileira de Letras e recebeu apenas um voto. (Em seu lugar, foi eleito o cineasta Cacá Diegues.)

Mas como disse Bianca Ramirez durante a oficina, “se a Academia Brasileira de Letras for a favor, nós devemos ser contra (e vice-versa)”, parafraseando Leonel Brizola com sua famosa máxima a respeito da Rede Globo.

 

 

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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