– Essa doença misteriosa que se espalhou por aqui: o senhor já tomou as providências?

– Eu acho que se trata de meningite

– É uma doença, digamos, que encomendável?

– Não entendo.

– Pergunto se alguém…digamos,um inimigo político,poderia ter encomendado.

–  É uma doença que ocorre sobretudo nas pessoas que se concentram em recintos fechados. É por isso que os soldados são mais atingidos…

– As pessoas pensam que é um mau-olhado. “

Veneno de Deus, Remédios do Diabo

O diálogo do trecho acima é entre um administrador corrupto e um médico lisboeta contratado para combater uma doença misteriosa em uma vila moçambicana.  Quem dera que epidemias no país africano fossem apenas fruto da imaginação do escritor Mia Couto, um dos mais reconhecidos escritores em língua portuguesa do mundo.

Infelizmente, é a mais pura realidade

Um ciclone que atingiu Moçambique,  Zimbábue e Malaui trouxe como consequência, além de mortos e desabrigados, um grave surto de cólera.

“Estou quase tão destruído quanto a minha cidade”, declarou Mia Couto, referindo-se à Beira, sua cidade natal, para onde tinha planos de retornar para escrever um novo livro baseado em suas memórias afetivas.  

O escritor mantém uma fundação de incentivo à cultura em solo moçambicano, mas agora o país necessita de ajuda humanitária para se reerguer. Aqui no Brasil, a CNBB lançou uma campanha de auxílio à Moçambique, Zimbábue e Malauí. 

Imagem: Pixabay/Reprodução

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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