O MBL bem que tentou. Mas os protestos contra Jair Bolsonaro realizados neste domingo (12) fracassaram em apoio popular. Porém, não é de hoje que o Movimento Brasil Livre parece perder força. Depois de seu auge, ao ter capitaneado o impeachment de Dilma Rousseff e dado apoio à candidatura de Bolsonaro, o MBL teve a relevância reduzida no cenário político.

Além disso, há uma evidente incoerência na atual ruptura do MBL com o presidente. As pautas ideológicas prosseguem bastante alinhadas ao bolsonarismo: defesa do armamento da população e Escola Sem Partido, por exemplo. Porém, o MBL chegou a protocolar pedido de impeachment como uma das medidas de repúdio a Bolsonaro.

Ainda que haja esse aparente afastamento, é inegável que a postura de integrantes do MBL é, sim, de extrema direita. Nomes como o do deputado Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, combatem o feminismo, as cotas raciais e atacam projetos sociais como do padre Júlio Lancelotti.

Dentro desse contexto, será mesmo viável uma terceira via democrática construída a partir de protestos organizados por grupos como o MBL? Até que ponto as presenças de Ciro Gomes (PDT), João Dória (PSDB) e Orlando Silva (PC do B), entre outros políticos de diferentes espectros, amenizam esse fato? A ausência do PT foi determinante para o fracasso dessas manifestações? 

Considero que estas são perguntas que serão respondidas até a campanha eleitoral de 2022. Mas o que não podemos é esquecer a origem do MBL e acreditar que vale tudo contra Bolsonaro. Afinal, trocar a extrema-direita bolsonarista por uma extrema-direita “jovem” e neoliberal está muito longe de ser a mudança necessária para tirar o Brasil da miséria e crise atual.

Recomendação literária

O livro MBL, crise política e conflitos de classe no Brasil, de Kiane Follmann da Silva, faz um resgate interessante da História recente. Além disso, a obra traça um paralelo do MBL com a UDN, partido conservador que atuou entre 1945 e 1965 no Brasil. Assim, a autora demonstra como a “nova política” do Movimento Brasil Livre não tem nada de inovadora, ao apostar no discurso de combate à corrupção. 

Em tempo

Vale lembrar que as manifestações deste domingo também foram convocadas pelo Partido Novo e o Vem pra Rua. Este movimento, inclusive, foi o responsável pelo maior desconforto para esquerdistas presentes ao ato na Avenida Paulista. Descumprindo ordens da organização, integrantes do Vem Pra Rua levaram um “pixuleco” de Lula com roupa de presidiário unido a Bolsonaro vestindo uma camisa de força, Apesar dos esforços em evitar o tom antipetista, isso parece inevitável.

Imagem: MBL/Facebook

Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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