Maratona literária, vocês conhecem? Em tempos de Olimpíadas, resolvi falar sobre essa modalidade nada esportiva mas que encanta os apaixonados por literatura.  Para quem ainda não entendeu do que se trata, classifico como “maratonar um livro” a ação de começar e terminar a leitura da obra no mesmo dia. Sabem como é? Ficar grudado naquela história, sem conseguir parar até descobrir o final.

Por motivos de Brasil da pandemia, fazia muito tempo que não conseguia fazer uma maratona literária. Infelizmente, imagino não estar sozinha na falta de foco e concentração. Afinal, aos nossos problemas pessoais somam-se milhares de mortos, atraso na vacinação e a péssima gestão de Jair Bolsonaro no poder.

Jogos Olímpicos como evasão da realidade

Atualmente, outra alternativa muito usada para fugir um pouco da realidade são os Jogos Olímpicos. Por decisão consciente ou não, parte da população brasileira tem direcionado a atenção aos feitos de atletas, muitos deles de modalidades pouco aclamadas fora de eventos de proporção mundial. 

Porém, para mim, os jogos olímpicos não servem como evasão, pois o “fantasma” da política parece contaminar tudo. “Os atletas do vôlei são ou não bolsonaristas?” “Medina perdeu mas mereceu, pois tem até foto com o filho do Bozo!” “Vocês viram o deputado que defendeu trabalho infantil depois da vitória da Rayssa no skate?”

Uma fuga saudável 

Sendo assim, prefiro fugir mesmo de conexões com a dureza dos dias atuais, nem que seja por alguns momentos. Para esse distanciamento terapêutico da realidade, recomendo um bom livro de ficção. A sugestão é encontrar um estilo literário que prenda sua atenção o suficiente para não pensar qual será a próxima medida desastrosa do governo Bolsonaro. 

Advertência

No entanto, caro leitor, a recomendação é fazer uso de maratonas literárias com moderação. Pois a vontade de morar dentro dos livros e, não na realidade brasileira, pode ser irremediável. Por isso, o que precisamos é usar desse recurso para recarregar as baterias e seguir em frente, com a saúde mental em dia. Para, assim, permanecer com força e vontade de seguir lutando, seja da maneira que for. 

Livros que usei  para “fugir” do Brasil 2021

Jardim de Inverno, Zélia Gattai – Acompanhar as histórias de viagem de Jorge Amado e Zélia Gattai, o casal literário mais fofo da história brasileira, é uma fuga muito prazerosa. O estilo narrativo de Zélia é único, fazendo os leitores entenderem, com simplicidade, o contexto difícil do exílio, sem deixar de lado a intimidade em família, repleta de momentos engraçados.

Controle, Natalia Borges Polesso – A obra trata sobre uma história de amor entre duas mulheres, que se conheceram ainda na adolescência. Nanda, a protagonista, é apaixonada por New Order e as citações à banda inglesa encaixam-se ao enredo de forma muito natural.  A premiada Natalia Borges Polesso é, sem dúvida, uma das mais expressivas e talentosas escritoras da atualidade.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, Taylor Jenkins Reid – O romance é sobre um ícone fictício de Hollywood que, ao final da vida, resolve chamar uma jornalista para finalmente revelar sua turbulenta trajetória, iniciada nos anos 1950. Mas o livro é muito mais do que isso. É sobre poder, objetificação feminina, relacionamentos homoafetivos, amor e perdas. Da minha experiência como leitora, confesso que devorei as 360 páginas em poucas horas, na noite passada. E, por isso, resolvi escrever este texto.   

Imagem: Thought Catalog/Pixabay

 

Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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