Sempre fico meio receosa quando chega nessa época de fim/início de ano e todo mundo começa a traçar metas e promessas. É dieta, academia, viajar mais, ter mais dinheiro, um emprego melhor e por aí vai. Nesse misto de ansiedade e expectativa, nos enchemos de obrigações e deveres e nos frustramos ao não conseguir atingir um patamar tão elevado de um “novo eu” para um “novo ano”.

Sobre a leitura, claro que é legal a gente incluir na nossa rotina um bom livro ao invés de ter somente as horas livres dedicadas a maratonas intermináveis de seriados, por exemplo.

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Mas me arrisco a dizer que colocar a Literatura como uma obrigação tira o encantamento que uma obra de qualidade pode trazer às nossas vidas

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E isso vai depender do gosto de cada um. Por isso, não acredito em imposições. Digamos que vocês aí que estão me lendo não tenham atingido um número de leituras em 2017 da qual possam se orgulhar. Digamos que 12 livros por ano poderia ser um bom número, não? Um livro por mês, bem na manha. Daí eu respondo. Depende. Se vocês se propuseram no ano passado a ler Guerra e Paz, essa tarefa de terminar em apenas um mês não se torna tão simples. (Depende da edição, mas a obra-prima de Tolstói tem uma média de 600 páginas).

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Por isso, não se deixe contaminar por número e metas. Leia o que lhe dá prazer. Leia o que tem vontade. E deixe seu 2018 mais leve

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No meu caso, aproveitei o recesso de final de ano para ler, de forma bem despretensiosa e por total acaso, três livros com a palavra “menina” no título.

A Menina Má, um clássico de William March, foi um precursor das histórias com crianças psicopatas. Rhoda é uma linda garotinha de 8 anos que parece ter tendências homicidas. A mãe dela se angustia com a possibilidade da menina ter cometido mais de um assassinato. Daqueles livros para ler de um fôlego só.

A adaptação de A Menina do Fim da Rua, de Laird Koenig, fez sucesso no cinema com Jodie Foster, ainda adolescente, como protagonista. O enredo do livro é sobre uma jovem de 13 anos que mora em uma casa com o pai, que nunca é visto pelos vizinhos. A menina é uma intelectual, apaixonada por música clássica e por poemas de Emily Dickinson. Mas Ela também tem segredos muito bem guardados que geram reviravoltas interessantes na trama.

A Menina da Neve tem um tom mais mágico, de contos de fada. Um casal sem filhos aproximando-se da velhice vai morar no Alasca para tentar vida nova. Ao criarem um boneco de neve, começam a enxergar uma criança na floresta perto da casa deles. Alucinação ou verdade? A história se desenvolve com delicadeza e ternura, em um final que pode provocar lágrimas nos leitores mais sensíveis. O livro de Eowyn Ivey foi um dos finalistas do conceito Prêmio Pulitzer, há cinco anos.

Flávia Cunha
Author

Jornalista, formada pela Famecos (PUCRS), e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Apaixonada pela obra de Caio Fernando Abreu, uniu dois interesses e analisou o trabalho do escritor gaúcho como jornalista. Entre suas preferências literárias também estão, entre outros, García Márquez, Ernest Hemingway, Érico Veríssimo, Carol Bensimon e Daniel Galera. Não necessariamente nessa ordem. É fissurada por café e rock n’roll.

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