Agora que as celebrações de Natal passaram e a ceia virou só a lembrança de exageros gastronômicos típicos dessa época do ano, vamos a um assunto indigesto: o nascimento de Jesus, tal como está na Bíblia, nada tem a ver com presentes caros e pratos sofisticados.

Cristo, em sua trajetória expressa nas sagradas escrituras, pregava a simplicidade e a defesa dos mais pobres. Trago o assunto à tona porque achei muito interessante uma foto de uma família de refugiados que circula pelas redes sociais. A postagem alerta que a família de Jesus era igual, ao ser obrigada a ir para outro país em busca de segurança, com a decisão de Herodes de matar todas as crianças para não ter seu reinado ameaçado.

A polêmica de se Jesus era ou não um refugiado surgiu em plena campanha eleitoral, durante a entrevista do agora presidente eleito ao programa Roda Viva. Logo vieram textos de defesa a Jair Bolsonaro, alegando que não se pode misturar religião com geopolítica. (Interessante que a religião pode ser usada em outros contextos, mas para defender a boa acolhida a imigrantes de países pobres, não…)

Estou longe de ser uma especialista em teologia. Porém, é consenso que a Bíblia traz histórias de migrações e peregrinações pela região hoje conhecida como Oriente Médio.

Em um trecho do Velho Testamento, há uma passagem bem clara sobre o tema:

O estrangeiro resi­dente que viver com vocês deverá ser tratado como o natural da terra. Amem-no como a si mesmos, pois vocês foram estrangeiros no Egito. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.

Levítico 19: 34

Se a intenção para os próximos dias não é se meter em discussões bíblicas, o livro Mistério de Natal revisita o nascimento de Cristo de uma forma poética e envolvente, sem deixar de lado aspectos históricos. O enredo criado por Jostein Gaarder (mesmo autor de O Mundo de Sofia) conta a história de um menino que acompanha um grupo de peregrinos que voltam no tempo para homenagear um recém-nascido muito especial.

Encerro esse texto com um pequeno trecho da obra, com a fala de um dos Reis Magos:

Acima de tudo é importante ajudar os aflitos, os doentes, os pobres e os refugiados. Essa é que a mensagem de Natal.”

Imagem: Pintura A Fuga para o Egito – Candido Portinari/Reprodução Internet

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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