Nessa semana, fui convidada para contribuir com um texto no Diário da Pandemia. O projeto, que começou no início do isolamento social, publica, a cada dia, as impressões de uma pessoa diferente sobre esse momento triste e estranho que vivemos.
QUERIDO DIÁRIO

Optei por escrever em um estilo bem confessional, como se estivesse desabafando em um caderninho, como muito fiz na infância e adolescência. Só que os tempos são duros e as reflexões acabam sendo muito relacionados à disseminação do coronavírus e suas graves consequências. O texto foi publicado nesse sábado no Diário da Pandemia e começa assim:

“Querido diário, falo do futuro. Não por ter conseguido fabricar alguma máquina do tempo. Mas é para os dias que ainda estão por vir que me remeto, quando fico mais triste nessa quarentena interminável. Me projeto mentalmente para algum momento de 2021 no qual a vida de todos esteja um pouco menos cinzenta, sem a sombra de um balanço diário de mortes por um vírus que desestabilizou o planeta.”  Leia o texto completo aqui.
FÉ E PANDEMIA

Por coincidência, a editora-chefe do Vós, Geórgia Santos também foi convidada nesta semana a participar do projeto. O texto da Geórgia faz uma relação entre a fé e a pandemia. Nesse trecho, quase no final do relato, ela reflete a forma como o momento atual acabou mudando sua forma de lidar com a religiosidade (e não vou  revelar a maneira exata como a Geórgia faz isso porque a leitura do texto inteiro vale muito):

[…] eu resolvi fazer as pazes com a religião como uma forma de lidar com a ansiedade, a dor e a raiva que essa pandemia me traz. Resolvi fazer as pazes com a Igreja Católica para tentar espantar o ódio por quem coloca a vida dos outros em risco, a frustração por não ter um governo inteiro, o medo de perder alguém querido, a tristeza por quem já precisou passar por isso.”  Leia o texto completo aqui.
DIÁRIO COLETIVO

O projeto foi criado pela escritora Julia Dantas, a partir do desejo de ter um diário coletivo em uma forma de registrar os anseios e agonias do período atual, por meio do que pode ser considerado como micro-história. Na estreia do Diário da Pandemia, em 18 de março, Julia comenta: 

“As coisas às vezes parecem muito normais, às vezes muito estranhas, e essa oscilação já é, em si, um estranhamento gigante.
Esse diário começa hoje.”

Os relatos são em formatos diversos e já ultrapassam 140 dias (e pessoas envolvidas). Parabéns, a Julia Dantas e ao Felipe Franke, organizadores da iniciativa. Que o Diário da Pandemia siga nos amparando nesses dias tão difíceis. 

*  PS: Enquanto escrevia esse texto, foi noticiada a triste marca de 100 mil mortos no registro oficial de vítimas do coronavírus no Brasil. Todo o meu respeito aos mortos e minha solidariedade às famílias das vítimas.

Imagem: Skeeze/Pixabay

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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