Este mês é dedicado à reflexão sobre racismo no Brasil, um fato que muita gente tenta relativizar e minimizar. O Novembro Negro é uma forma de dar visibilidade ao tema e contou com diversas atividades em diferentes cidades brasileiras. Começou a partir do Dia da Consciência Negra (20), uma homenagem a Zumbi dos Palmares e uma forma de evitar o apagamento da História desse guerreiro que lutou contra a escravidão do povo negro.

Para abordar o tema de uma forma inspiradora, a coluna Voos Literários convidou a jornalista e radialista Denise Cruz para escrever a respeito de suas leituras e vivências.  

Dona de uma das vozes mais marcantes do rádio gaúcho, –  atualmente trabalha na Rádio União FM – nesse texto Denise vai muito além da voz. Demonstra sua sensibilidade e sua visão de mundo, que também passa pelo universo acadêmico. É mestre em Psicologia e professora universitária na Unifin, onde coordena o curso de jornalismo.

Com a palavra, Denise Cruz:

Inspiração. Sempre que inicio a leitura sobre a biografia de alguém que admiro parto em busca de algo que faça sentido para a minha história. Entender a caminhada de outras pessoas torna a nossa estrada com curvas menos acentuadas ou, ao menos, aprendemos a dosar a velocidade nos momentos que as viradas acontecem de forma mais abrupta.  Foi assim quando li o Oprah – Uma Biografia, de Kitty Kelley (2010). Queria muito saber a trajetória dessa mulher, negra, fora dos padrões estéticos da televisão, vinda de família humilde que alcançou o sucesso não só nas telinhas, mas que virou referência para outras mulheres no mundo.

A história de Oprah não é diferente de muitas histórias que vemos/sabemos em vários cantos do Brasil.

A diferença está em como ela lidou com as adversidades. Vivendo situações semelhantes a que ela passou podemos nos colocar como vítimas de tudo e todos ou reunir sonhos e empenho para a transformação. Ela ficou com a segunda opção. Nina Simone (outra mulher negra agente da transformação) usou a música para cantar seus direitos e marcar o seu espaço. Aqui recomendo o livro Jazz Ladies – A História de uma Luta, de Stéphane Koechlin (2012).

Observando a trajetória dessas mulheres (citando apenas duas grandes protagonistas de suas histórias e com grande contribuição para a sociedade), entendo o quanto ainda estamos longe da real consciência da contribuição negra nas mais diversas áreas.

Através desses livros mergulhei em narrativas que me mostraram outra perspectiva para as minhas relações e ambições. Longe de qualquer comparação (até porque não existe um parâmetro mínimo para isso, mas como disse lá no início, a busca é pela inspiração) ao me posicionar como mulher negra na Comunicação vejo que minha caminhada ainda está nos primeiros passos e com algumas poucas curvas acentuadas.

Tenho muito que aprender e mais ainda a agradecer por todas as mulheres negras que lutaram pela minha voz. Pela nossa voz.”  

Foto: Acervo Pessoal

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

Comentários no Facebook