Dando continuidade aos embates literários, escolhi autores bem diferentes entre si. Inspirada pelas oitavas de final da Copa do Mundo, proponho uma espécie de super trunfo de livros dos países classificados nessa fase da competição. Para a escolha das obras, criei o seguinte critério: escritores contemporâneos e ainda em atividade. Um teve sua obra reconhecida pelo maior prêmio literário mundial, e, o outro, é aclamado por fãs da cultura pop.

Representante da Bélgica, Hermann Huppen, 79 anos

Minibiografia . Veterano criador de HQs, tem uma legião de fãs ao redor do mundo. Começou a carreira como desenhista e logo decidiu também escrever o argumento de suas histórias. Teve como inspiração o belga Hergé (1907-1983), criador do personagem Tintim.

Livro escolhido para essa batalha . Caatinga, lançado mundialmente na década de 1990.

Motivo da escolha . Uma história em quadrinhos lançada na Bélgica tendo o cangaço como ponto de partida é, no mínimo, motivo para curiosidade. O enredo se passa na década de 1930, no Nordeste brasileiro. Dois irmãos tentam vingar a morte do pai, assassinado por um rico fazendeiro da região. Perseguidos pelos capangas do latifundiário, eles são resgatados por cangaceiros, foras-da-lei que escondem-se no sertão.

Bônus . A obra foi premiada, inclusive no Brasil. Por aqui, o livro foi lançado pela Editora Globo e está esgotado. Mas é possível encontrá-la em sebos online.

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Representante do Japão, Kazuo Ishiguro, 63 anos

Minibiografia . O escritor ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2017. Japonês radicado em território britânico desde a infância, recebeu influência das duas culturas. Depois de ter o sonho de ser músico frustrado, resolveu dedicar-se à literatura. Seu plano de ter reconhecimento mundial deu certo e sua obra já foi traduzida para 28 idiomas.

Livro escolhido para essa batalha . O Gigante Enterrado, de 2015

Motivo da escolha . É uma mistura interessante de melancolia e magia, em um tom onírico. O épico inspira-se na lenda do rei Arthur, que influencia diretamente a cultura britânica. O enredo também tem dragões, monstros e seres mágicos, o que pode agradar a quem gosta de obras no estilo de Game of Thrones e O Senhor dos Aneis.

Bônus . O clima soturno já fica claro ao leitor no capítulo de abertura da obra:

“Uma névoa gelada pairava sobre rios e pântanos, muito útil aos ogros que ainda eram nativos daquela terra. As pessoas que moravam ali perto — e pode-se imaginar o grau de desespero que as teria levado a se estabelecer num lugar tão soturno — teriam razão de sobra para temer essas criaturas, cuja respiração ofegante se fazia ouvir muito antes de seus corpos deformados emergirem da neblina.”

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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