Inspirada pelas oitavas de final da Copa do Mundo, proponho uma espécie de super trunfo de livros dos países classificados . E este é o último duelo, afinal, as quartas já começam na próxima sexta-feira. Para a escolha das obras, criei o seguinte critério: escritores contemporâneos e ainda em atividade. E neste final, dois países famosos pelos prodigiosos escritores e escritoras.

Representante da Colômbia . Andrea Cote, 37 anos

Minibiografia . Professora universitária, fotógrafa e ensaísta, Andrea lançou seu primeiro livro de poesias em 2003. Logo obteve reconhecimento, com premiações e traduções de suas obras para outros idiomas, algo difícil de ocorrer com quem escreve poemas. De acordo com especialistas, sua escrita tem elementos que assinalam a urgência de seus fantasmas pessoais e a necessidade de transformar a experiência em palavra.

Livro escolhido para essa batalha . Puerto Calcinado, ainda sem tradução para o português

Motivo da escolha . É difícil a gente dissociar a literatura colombiana de García Márquez e seu realismo fantástico. Por isso mesmo, a intenção foi destacar um estilo literário completamente diverso do de Gabo. A poesia de Andrea Cote é forte e envolvente, com uma sonoridade que atrai os leitores que gostam de ler poemas em voz.

Bônus:  

Puerto quebrado

Si supieras que afuera de la casa,

atado a la orilla del puerto quebrado

hay un río quemante

como las aceras.

Que cuando toca la tierra

es como un desierto al derrumbarse

y trae hierba encendida

para  que ascienda por las paredes,

aunque te des a creer

que el muro perturbado por las enredaderas

es milagro de la humedad

y no de la ceniza del agua.

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Representante da Inglaterra . Zadie Smith, 42 anos

Minibiografia . Nascida em um distrito de Londres, é descendente de ingleses e jamaicanos. Formada em Literatura Inglesa pela Universidade de Cambridge. Lançou seu primeiro romance com 24 anos. Dentes Brancos obteve sucesso imediato. A fama repentina provocou um bloqueio criativo na escritora, que conseguiu vencer o problema algum tempo depois.

Livro escolhido para essa batalha . O caçador de autógrafos, de 2002 (o primeiro depois do bloqueio criativo)

Motivo da escolha . A trajetória do caçador de autógrafos é narrada com maestria por Zadie Smith. Como pano de fundo, a globalização e a miscigenação presente na Europa do século XXI. O protagonista, por exemplo, é filho de uma mãe judia e de um chinês convertido ao judaísmo. A cultura de massa e a supervalorização das celebridades também é um dos temas desse romance.

Bônus . “Como os filmes de Woody Allen, este livro é uma grande piada judaica: a busca do amor e o medo da morte são tratados com muito humor e ironia.” – The Sunday Telegraph

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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