Passo longe do ufanismo de achar os brasileiros melhores em tudo apenas pela nacionalidade. Por isso, acho difícil saber quem ganharia a batalha literária Brasil e México. Inspirada pelas oitavas de final da Copa do Mundo, proponho uma espécie de super trunfo de livros dos países classificados nessa fase da competição. Para a escolha das obras, criei o seguinte critério: escritores contemporâneos e ainda em atividade. As duas competidoras são de peso e com trajetórias relevantes fora de suas obras. 

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Represente do Brasil . Clara Averbuck, 39 anos

Minibiografia: Gaúcha radicada em São Paulo há alguns anos, Clara foi da primeira geração de escritores a perceberem a Internet como um canal de divulgação para textos literários. A escritora tem uma legião de fãs em suas redes sociais e assumiu publicamente uma batalha a favor do feminismo e das causas LGBT. Não esconde seu posicionamento político de esquerda e mesmo assim tem espaço para escrever colunas remuneradas em veículos da grande mídia.

Livro escolhido para essa batalha: Máquina de Pinball, seu primeiro romance publicado, em 2002

Motivo da escolha: O enredo é corajoso ao mostrar uma protagonista feminina com uma postura junkie, inconsequente e totalmente livre do ponto de vista sexual. A personagem Camila está longe de ser uma heroína e isso é absolutamente libertador para quem acha que livros escritos por mulheres precisam ser necessariamente sensíveis e delicados.

Bônus: O livro virou peça de teatro. Também foi adaptado para o cinema, com o título de Nome Próprio. A escritora não gostou do resultado do filme. Ainda assim, considero que vale a pena conferir o longa-metragem.

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Representante do México . Laura Esquivel, 67 anos

Minibiografia . Professora por formação,  em determinado momento de sua vida acabou escrevendo roteiros para televisão e cinema. A ideia de um roteiro virou um romance, que deu início a uma carreira literária de sucesso. Já consagrada como escritora, elegeu-se deputada em 2015, pelo Movimento de Regeneração Nacional, partido de esquerda

Livro escolhido para essa batalha . Como Água para Chocolate, seu romance de estreia, lançado em 1989

Motivo da escolha . O livro traz uma curiosa combinação de gastronomia e amor, sem cair em clichês. As metáforas culinárias são o ponto alto do livro, assim como a dicotomia entre a tradição mexicana e o desejo de rompê-las. O que poderia ser apenas mais uma história de amor proibido, vai muito além disso.

Bônus . O livro foi adaptado para o cinema em 1992, É considerado um dos 100 melhores filmes mexicanos de todos os tempos e recebeu diversos prêmios. Como Água para Chocolate ganhou uma sequência literária em 2016, chamada O Diário de Tita. Laura Esquivel na época desse lançamento anunciou que o enredo se encerraria como uma trilogia, então resta esperar pelo fim dessa história.

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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