Vivemos tempos difíceis no Brasil para os sonhadores e para aqueles que desejam viver de acordo com seus próprios anseios. Em nome de uma suposta liberdade de expressão, cada vez saí mais do armário o preconceito e o ódio contra a comunidade LGBTQ+.

E é por isso que aguardo com grande expectativa o julgamento no STF de duas ações pedindo a criminalização de atos de homofobia. Há quem diga que é “mimimi” (a expressão mais usada por pessoas sem empatia). Há também aqueles que consideram que o assunto é “menor” perante as dificuldades financeiras e sociais enfrentadas pelo povo brasileiro.

Porém, para termos uma sociedade mais humana e menos violenta, é preciso, sim, que homofóbicos entendam que estão errados. Compreendam que não existe “moral e bons costumes” que justifiquem bater em um casal do mesmo sexo que esteja se beijando em público, por exemplo.

Uma pesquisa recente aponta a morte no Brasil, em 2017, de 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais por crimes motivados por homofobia. E isso é muito grave e passa pelo preconceito pelo diferente e o medo de alguém da família “virar” gay.

Um livro muito sensível sobre o assunto é Um Milhão de Finais Felizes, de Vitor Martins. Apesar do gênero ser young-adult (para jovens adultos), a história de Jonas, o pós-adolescente que enfrenta o preconceito da família religiosa e encontra o amparo dos amigos, vai agradar a todos que tiverem alteridade e gostarem de um enredo que mescla momentos tristes com doses de humor.

Nos agradecimentos, o autor dirige-se diretamente aos leitores, no trecho que reproduzo a seguir, na esperança de que cada vez mais pessoas desenvolvam o entendimento sobre quem é diferente:

Eu espero que, de alguma forma, a história de Jonas tenha sido especial para você. Principalmente se você se identificou com a jornada do garoto que, infelizmente, não recebe amor e aceitação dentro da sua própria casa. Se você está passando por isso espero que Um milhão de finais felizes tenha te ajudado a acreditar que, em breve, vai ficar tudo bem. Dias ruins, infelizmente, vão existir, mas você não está sozinho. Nós somos uma família.

E se você nunca passou por nada parecido, mas quer ajudar, busque casas de acolhimento LGBTQ+ no seu estado e doe como puder. Doe dinheiro, tempo ou compartilhe informações nas redes sociais. O Brasil é um país cruel demais com quem nasceu diferente, mas, juntos, nós temos muita força.

E os finais felizes que a gente tanto quer são apenas o começo.”

O primeiro livro de Vitor Martins, Quinze Dias, também trata sobre aceitação e sexualidade. Um assunto que pode ser incômodo para os mais conservadores, mas que o autor aborda com leveza e lirismo.

  • Esse texto é uma homenagem à Parada Livre de Porto Alegre (RS), realizada no dia 18 de novembro, sem apoio do poder público e com forte teor político.

Foto de capa:  Dani Montano

Fotos da Parada Livre POA: Dani Montano e Instagram do evento

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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