O anúncio de que os 4 livros da série napolitana “A Amiga Genial” vão virar um programa da HBO me deixou com sentimentos contraditórios. Fiquei feliz de poder reviver o enredo intenso e visceral criado pela misteriosa escritora italiana Elena Ferrante, mas deu aquele medinho de fã de que a adaptação estrague a magia criada no universo literário.

Por isso, listei 5 coisas que podem ser um problema na adaptação da obra (sem spoilers):

1 – Como a série vai dar conta das milhares de páginas dos quatro livros?

O anúncio mais recente informa que serão 4 temporadas com 8 episódios. Ainda assim, como contar tudo (ou quase tudo) que está nos enredos de  A Amiga Genial, História do Novo Sobrenome, História de Quem Foge e de Quem Fica e História da Menina Perdida? Não é à toa que as obras são um sucesso mundial com milhões de exemplares vendidos, o enredo é extremamente envolvente e o texto é muito bem escrito.

2 – As atrizes escolhidas conseguirão interpretar de forma competente a complexa amizade das duas protagonistas?

Seja com Lenu e Lila crianças, adolescentes ou adultas, a relação entre elas é constituída por uma intrincada mistura de sentimentos que considero difíceis de transpor para um seriado. Outro desafio será o de manter o ritmo e a sintonia a cada troca dos pares de atrizes, com a mudança de faixa etária das personagens.

3 – A grande gama de personagens secundários será mantida?

Os 4 livros focam-se na história das protagonistas, mas não seria a mesma coisa sem os amigos e familiares das duas. Resta saber se os produtores serão fiéis aos livros ou “passarão a faca” nas histórias paralelas que dão um sabor especial à tetralogia.

4 – O clima da periferia de Nápoles conseguirá ser transposto para a série?

Nápoles é fundamental para a história criada por Elena Ferrante. É um personagem à parte, eu diria. Menos mal que o seriado está sendo gravado em dialeto napolitano. O que justifica sua demora em estrear (informações divulgadas recentemente dão conta de que o lançamento será até março de 2019).

5 – As tramas paralelas que envolvem temas complexos como feminismo e política serão conservadas no roteiro?

Os livros de Elena Ferrante podem ser lidos em várias camadas. A história principal de Lenu e Lila pode ser interpretada como um “novelão”, em que as pessoas brigam, reconciliam-se, casam-se, etc. Porém, um dos grandes méritos das 4 obras é justamente conseguir conciliar as relações humanas com movimentos políticos e sociais a partir da perspectiva italiana.

Independente do resultado, compartilho com quem é fã de Elena Ferrante a ansiedade em ver de uma vez esse seriado pronto. Vamos logo, HBO!!

Flávia Cunha
Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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