O governo Bolsonaro começou o ano de 2020 surpreendendo um total de zero pessoas com ofensas a jornalistas, uso indevido da máquina pública na Secretaria de Comunicação e erros inadmissíveis com as notas do Enem, comprometendo o futuro de milhares de jovens. Mas na última semana, o agora ex-secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, ultrapassou os limites.

Alvim publicou um vídeo em que aparece defendendo a criação de uma nova identidade para a arte no Brasil. Ao fundo, Wagner e a obra favorita de Adolf Hitler. A estética é idêntica à adotada por regimes totalitários. E o discurso é um plágio de Joseph Goebbels, Ministro da propaganda de Hitler.

Roberto Alvim foi demitido quando o plágio veio à tona. Mas o discurso em si não foi questionado. Aliás, o texto em si havia sido elogiado. E até agora, não sabemos se o projeto absurdo para a proposta de reconstrução da cultura no brasil será implementado ou não. Até porque ficou claro, até aqui, que o nazismo incomoda mais pelo termo do que pelo que representa. Tanto é assim que agora, nas redes sociais, há quem diga que Alvim foi vítima de uma trama da esquerda, que colocou o trecho de Goebbels de propósito para derrubá-lo. Embora toda a construção estética do vídeo deixa claro que tudo foi pensado com muito cuidado.

Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. 

Geórgia Santos
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Jornalista, radialista, cientista política e uma viajante inveterada. Tem uma relação de amor com a comida. Gringa, não recusa um vinho e uma polenta. Fez da viagem um objetivo de vida. Lisboa é um dos seus lugares preferidos no mundo, embora as melhores histórias estejam na Itália.

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