Pintou um clima? Temos certeza de que todo mundo viu ou ouviu falar do vídeo de Jair Bolsonaro que circulou pelas redes sociais na última semana.

Na sexta-feira (14), Bolsonaro disse a um podcast:

“Eu estava em Brasília, na comunidade de São Sebastião, se eu não me engano, em um sábado de moto […] parei a moto em uma esquina, tirei o capacete, e olhei umas menininhas… Três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas, num sábado, em uma comunidade, e vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. ‘Posso entrar na sua casa?’ Entrei. Tinha umas 15, 20 meninas, sábado de manhã, se arrumando, todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas de 14, 15 anos, se arrumando no sábado para quê? Ganhar a vida”, disse o presidente.

Na madrugada de domingo pra segunda, Bolsonaro fez uma live nas redes sociais para se defender. Ele disse que as declarações sobre o encontro com as meninas foram deturpadas. Que foi um encontro gravado e inclusive transmitido pela CNN. Só que o tal encontro era com mulheres venezuelanas, sim, em um centro de apoio, mas nada tinha a ver com prostituição.

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Então ou ele mentiu sobre ser o mesmo encontro ou mentiu sobre ser um caso de prostituição infantil. De todo modo, NADA justifica dizer COM NATURALIDADE que pintou um clima com meninas de 14 e 15 anos

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No domingo, o ministro e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, proibiu que o PT associasse a frase dita por Bolsonaro com pedofilia. E aqui a gente tem uma discussão sobre desinformação, sobre contextualização, sobre falsa equivalência e sobre vale-tudo eleitoral.

E ainda falamos de imparcialidade no jornalismo. Uns 50 centavos sobre uma profissão que existe para defender, entre outras coisas, os direitos humanos e a democracia.

A apresentação é de Geórgia Santos. Participam Flávia Cunha e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.

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Jornalista, radialista, cientista política e uma viajante inveterada. Tem uma relação de amor com a comida. Gringa, não recusa um vinho e uma polenta. Fez da viagem um objetivo de vida. Lisboa é um dos seus lugares preferidos no mundo, embora as melhores histórias estejam na Itália.