“A gente sabe que está ativa, está militando, está resistindo o tempo todo.”

 Marielle Franco, vereadora, militante e ativista

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A luta da vereadora brutalmente assassinada no Rio de Janeiro foi lembrada por Raquel Grabauska durante a entrevista para o projeto Ativismo e Arte. Atriz, diretora e produtora teatral, Raquel vem desempenhando um papel fora dos palcos e bastidores artísticos. Desde 2020, tornou-se propulsora de ações sociais para ajudar quem passa (ainda mais) dificuldades durante a pandemia. Apesar do resultado visível do projeto CQM+, nossa entrevistada preferiu não se classificar como ativista, quando questionada a respeito. Em seu entendimento, considera o termo algo “maior”, que remete a nomes como o de Marielle.

Por isso, preferiu se intitular como “ativa e artista”. O jogo de palavras entre ativa e ativista parece fazer mesmo muito sentido. Pois é preciso estar em ação para tentar mudar o mundo ao nosso redor. Dentro dessa perspectiva, não existe projeto social menor ou menos relevante, em uma sociedade tão injusta e desigual como a brasileira. 

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CMQ+

O projeto CQM+ foi criado pelo Cuidado Que Mancha, grupo artístico do qual Raquel Grabauska faz parte há mais de 20 anos. Atualmente, a iniciativa conta com 14 voluntárias que recebem doações, como alimentos, agasalhos e outros itens, como móveis e eletrodomésticos. Os donativos são destinados para 23 áreas de Porto Alegre (RS), através da conexão direta com líderes comunitários. “A gente valoriza quem está na comunidade. São os líderes comunitários que sabem as necessidades de sua região”, enfatiza Raquel. 

Para manter o projeto CQM+ ativo, foi criada uma campanha de financiamento coletivo recorrente. Além de contribuir para que as doações sigam sendo destinadas a quem precisa, a ajuda também é necessária para que o Cuidado que Mancha consiga recursos para alugar uma nova sede. 

Os interessados em colaborar, podem acessar este link:  https://apoia.se/cuidadoquemanchamais

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Ativismo e Arte?

Apesar de não considerar que o ativismo tenha interferido em seu fazer artístico, Raquel ponderou que durante a pandemia não conseguiu fazer projetos culturais destinados ao público infantil. “Comecei a trabalhar conteúdos mais voltados para adultos, como vídeos sobre maternidade”, recorda.  Além disso, criticou a condução de editais emergenciais criados pelo poder público para auxiliar a classe artística. “Teve um em que o critério era a ordem de inscrição. Ou seja, ver qual artista tinha a Internet mais rápida e era ágil para digitar seu projeto”, lamentou. Apesar do desconforto, inscreveu-se, por acreditar ser importante para os artistas ocuparem esses espaços. Porém, encontrou uma solução para deixar evidente sua postura crítica. Seu projeto, aprovado, chamou-se “Não me peça para ser criativa”. Uma subversão necessária, convenhamos.

 

 

Depois de encerrada a conversa com a minha entrevistada, precisei discordar da opinião dela a respeito da própria trajetória. Saí da gravação com a certeza que Raquel é uma ativista. E das boas, por fazer esse trabalho de forma sensível e verdadeira.  

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Raquel Grabauska

Atriz, diretora e produtora teatral. Atua há mais de 20 anos no Cuidado que Mancha, uma companhia de música, teatro e literatura voltada ao público infantil. Já publicou 6 livros, além de ter escrito textos dramatúrgicos para espetáculos teatrais. Também é diretora artística do podcast Todo Dia 8, uma produção do Vós.

 

Ouça o podcast com a entrevista completa

 

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Ativismo e Arte – Quem Faz

Uma produção Vós e F Cunha Produtora

Apresentação e produção: Flávia Cunha

Edição de imagem e concepção gráfica: Flávio Siqueira

Edição de áudio: Geórgia Santos

 

 

 



Author

Flávia Cunha é jornalista há mais de 20 anos e mestre em Literatura Comparada pela UFRGS. Desde 2015, atua somente na área cultural, em projetos literários e musicais. Sua paixão pelas duas áreas virou oficialmente uma empresa em 2018. Para saber mais: www.flaviacunha.com.br

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