Meu filho tá crescendo. Meus filhos tão crescendo. Pela primeira vez tô achando rápido. Eu tive a sorte de poder ser a mãe (quase sempre) que queria ser. Amamentei o quanto quis, fiquei com eles o tanto que quis, do jeito que quis. Tudo em concordância/planejamento com o pai deles. Foi uma opção nossa. Abrimos mão de várias cosias, como do nosso tempo, por exemplo. Mas foi calculado. E para nós foi bem bom assim.
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Então tava tudo bem. Eles crescendo, nós achando bonito. Emocionante como tem que ser, cansativo como é. Vida real

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Estávamos nessa até semana passada. Fomos a um parque de diversões. Normalmente quando vamos, cada um de nós, adultos, fica com um dos guris nos brinquedos que precisam de um responsável junto. Dessa vez meu marido foi comprar uma água e eu estava com os dois. Liberou a entrada para o brinquedo e tinha um adulto para duas crianças. Não cabe, disse o moço. Suei prevendo o choro que viria. Meu filho disse: eu vou sozinho, mamãe.

Coração quis pular pra fora do peito. Respirei, dei aquela olhada desesperada para ver se o marido estava perto. Nem sinal ainda. Vamos lá. Tem certeza, meu filho? Tenho, mamãe. Vamos lá. Ajudei a entrada no avião. Sentei no de trás com o pequeno.

Claro, na hora as lágrimas correram. As minhas. Ele tava bem feliz. Bem feliz mesmo. Na hora que o brinquedo começou a andar, vi meu marido chegando. Na cara de espanto dele, me enxerguei. Nos enxergamos. Sorrisos e olhos marejados. Voa, meu filho, voa.

Raquel Grabauska
Raquel Grabauska
Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.
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