Sempre ouvi as pessoas falarem sobre como faz bem ficar longe pra sentir saudades. Tempo de qualidade, quantidade não importa. Respeito as opiniões. Não tem mais mãe ou menos mãe pra mim. Mesmo. Claro que me dá vontade de dar colo pra todos os bebês que ficam em creches ou em qualquer outro lugar que não seja um bom colo quando precisam.  Assim como sinto vontade de dar colo para muitas pessoas adultas que conheço.

.

Quando meu primeiro filho nasceu, minha mãe e minha sogra me recomendaram muito sobre o perigo do colo dado aos bebês: estraga a criança

.

Confesso que eu estava impressionada. Estava tendendo a não dar colo, não queria “estragar o guri”. Num dos primeiros choros, meu marido me olhou e sem titubear um segundo, deu colo pro filho. Eu falei sobre os comentários das nossas mães e ele: “não vou deixar meu filho chorando”. Chorei eu. Achei tão lindo e sábio. Ele não estava preocupado com a opinião de ninguém. Nem da mãe, nem da sogra, muito menos a minha. Ele só estava sendo pai. Criando vínculo. Foi bonito de ver. Foi bonito sentir o ruir daquela “sapiência da mulher” que tudo sabe sobre ter um filho. Ver ele agindo como um pai que ama e cuida, me ensinou muito sobre ser mãe.

.

Fim de semana passado fiquei longe pela primeira vez do meu filho menor

.

Quatro aninhos grudados. Não senti alívio. Tinha medo de sentir. Trabalhei, me diverti, dormi, mas foi bem bom voltar e ter a nossa rotina. Estamos todos crescendo. Logo vai ser normal ficarmos tempo longe. Por ora, quero aproveitar.

Raquel Grabauska
Author

Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.

Comentários no Facebook