Há duas semanas escrevi sobre os poderes que adquirimos quando nos tornamos mãe. Quando postei, fiquei pensando nos pais. A maternidade nos torna instantaneamente sábias. Temos todas as respostas, sabemos que roupa vestir nas crianças, como dar banho,  o que é preciso comer em cada fase da vida.

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Mas e os pais? Como é pra eles?  Só consegui ser a mãe que sou porque os meus filhos têm o pai que tem

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Aqui, o banho é com ele. Se eu dou banho neles no inverno, ficam gripados.  A sabedoria da maternidade precisa de um apoio para exisitir. Alguém que acorda de noite para ver se as crianças estão cobertas. Alguém que veste o filho sem perguntar se tá bom assim. Alguém que é responsável pelos filhos. Que não é um ajudante em casa. Que é pai da criança, e não o ajudante da mãe. Convidei alguns pais que conheço e admiro pra nos contarem o que têm aprendido depois do nascimento dos filhos.

Super-Habilidades que os homens adquirem com a chegada dos  filhos

Colherada atômica –  a maior quantidade de comida no menor espaço da colher, tudo isso na velocidade da luz pra aproveitar um segundo de boca aberta. Paulo, pai da Anita;

Inventor – sempre tento recriar e inventar brinquedos para meu filho, com o intuito de inovar e reutilizar objetos para aflorar a criatividade dele,  evitando consumismo excessivo. Já fiz garagem para os hotwheels dele com uma gaveta e tubos de pvc, fiz uma pia de cozinha na caixa da impressora, fogão com um gaveteiro e um painel montessoriano só com produtos de ferragens doados. Tailor, pai do Arthur;

Energético – lembrei de uma situação social semana passada em que eu estava absurdamente exaurido, mas tinha q ir porque era uma data bem especial pra uma amiga próxima. Virar pai me ensinou a viver o aconchego e o trabalho de uma imensidão que  deixa em carne viva, a flor da pele, totalmente vulnerável à alegria e ao amor. Pedro, pai do Tomás;

Super Draga – Enquanto ele come no cadeirão eu vou comendo o que tá no chão. Quando termina a refeição, já tá limpo o salão. Só tive que parar com isso recentemente porque ele começou a imitar o papai. Almeidão Mapa, pai do Kaluanan;

Incondicionalidade do amor – porque um homem ama com todas as partes de seu corpo e de maneiras diferentes o que a vida  oferece, mas só quando se é pai tem a possibilidade real de não entender como chegou até aquele momento de sua vida sem que seu filho ali estivesse. Angelo, pai do Lucca e do Franco;

Auto controle – a capacidade de reprimir o pânico ou histeria em uma situação de acidente (com ou sem ferimento) ou perigo.  Claudio, pai do Samuel;

Braço de Popeye –  pra segurar ele no colo sempre que ele quer ou que a gente precisa. Binho, pai do Miguel;

Dormir com um olho aberto e o outro fechado – qualquer ruído estranho, o outro olho abre.
Contorcionismo ninja – limpar e trocar fralda em lugares nada convencionais, tipo no banheiro de um Embraer 190.
Contador de histórias (inventadas) – inventar histórias antes de dormir, o dificil é repetir a mesma coisa todas as noites
Achar tudo lindo – tudo que os filhotes fazem é lindo…nojo de cocô, nunca! Gonza, pai do Benja e do Tom. Exibido e orgulhoso porque essa ilustração de hoje é ele aos olhos do filho mais velho.

 

Raquel Grabauska
Author

Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.

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