Dias desses comentei com o namorado de um amigo que já tem filhos grandes sobre o sono que estava sentindo. Meus filhos acordaram váaaaaaarias vezes na noite, me tornando um zumbi matinal.

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Ele disse: “filhos pequenos dão trabalho. Filhos grandes dão dor de cabeça”.

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Nunca mais parei de pensar nisso. Resolvi aproveitar pra me divertir um pouco com o trabalho que os filhos pequenos nos dão. Às 10h da manhã, o filho menor pede colo pra o pai pra ver o que tem no armário das comidas. Descobriu um pirulito que jazia escondido. Começa a negociação. O pai não cede. Filho frustrado. Manha, fúria, desgosto.

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Por fim, desabafo: “se eu fosse adulto, eu faria o que queria”.

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Certamente o primeiro ato da sua vida adulta será comer um pirulito às 10h da manhã de um feriado. Por aqui, quando não deixamos fazer alguma coisa que querem muito, ouvimos coisas terríveis:

Não vou te convidar pro meu aniversário!
Não vou te emprestar os meus brinquedos!
Não gosto mais de ti, só do papai (ou só da mamãe!, quando o algoz foi o pai).
Ninguém me entende!

Essas duras palavras duram em torno de doze segundos. Daí vem o melhor abraço do mundo. Sempre. E somos novamente convidados para o aniversário. E podemos brincar com seus brinquedos. E eles ficam sabendo que os amamos.

Raquel Grabauska
Author

Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.

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