Hoje eu tinha muiitas coisas pra fazer e aproveitei o caminho do super até o pilates pra resolver assuntos urgentes com meu marido. Estava saindo do super e disse: “depois a gente continua, tô chegando na rua.” Me deu uma tristeza.

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Ter que parar a conversa por medo de assalto. Que tristeza!

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Porque não é parar só a conversa. É parar a vida. Meu filho mais velho tem sete anos. Meus guris têm dois anos e dez meses de diferença. A infância dos dois tem sido completamente diferente. Há seis anos e meio, íamos diariamente na pracinha. Dias de luxo, íamos de manhã e tarde. Tinha a turma da praça. Trocávamos ideias, colos, desabafos. Na segunda maternidade, notei um esvaziamento das praças. O medo tomou conta geral.

Eu não me rendi para o medo. Tentei ir para a rua. Até ser ameaçada por um dono de um cachorro/pônei que estava com seu mino-mamute sem coleira avançando sobre todas as crianças. As crianças não ocupam as praças? Os cachorros ocupam. Adoro cachorro. Sempre tive. Não tenho agora, mas adoro. Mas adoro ir na praça com as crianças. E não tem dado. Porque os cachorros avançam. E a gente recua.

A gente recua por medo de assalto, por medo de cachorro, por medo do medo. Torcendo por um período de avanços.

Raquel Grabauska
Author

Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.

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