Trabalho com arte para crianças há pouco mais de 20 anos. Vi muita criança crescendo e me dizendo das boas memórias da infância: livros, teatros, músicas. Leio para os meus filhos todas as noites. Levo a programas culturais sempre que posso.

Deparei com esse texto do autor Caio Riter em seu perfil do facebook:

“Noite do Açorianos de Literatura 1

A cerimônia começa com uma homenagem a autores gaúchos que foram importantes (segundo o texto em off) na construção de nossa literatura. Sucedem-se no telão rostos de escritores falecidos. Não vejo entre eles a Maria Dinorah, o Carlos Urbim, a Mary Weiss, o Hermes Bernardi, o Sérgio Napp. O que teriam em comum para não merecerem a homenagem? Ah, claro, escreviam para a infância.”

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Ele disse tudo o que há pra dizer. Quem trabalha com teatro infantil, faz pecinha. Quem faz música para crianças, faz musiquinha. Livro, livrinho.

Criança= criancinha= sem cerebrinho

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Alguém pode achar que estou exagerando. Talvez eu esteja. Mas esse é um pensamento geral. Me diz que tu nunca ouviu alguém se referir às questões infantis no diminutivo e eu recuo. Ouço o tempo todo. Essas crianças que ouvem histórias, que leem livros, se tornam adultos. Que leem ou não. Certamente uma infância com leitura, influencia numa vida adulta com vontade de ler.

Porque a arte para a criança é vista como algo menor? E não é só na literatura. Em todas as áreas. Tenta escrever um livro para uma criança. Tenta. Para escrever uma livro é preciso um autor. Isso vale para o livro adulto, infanto juvenil, infantil.

Autor de livro infantil = autor

Autor de livro adulto = autor

Autor de livro infantil = autor de livro adulto

Para escrever uma história, é preciso um tema. Aí a coisa muda. Para as crianças, são usadas temáticas infantis. É aí que a coisa muda. Se ao escrever tu trata a criança com inteligência, sem menosprezar seu entendimento, respeitando o leitor, tu vai ter um bom livro. Infantil. Vai me dizer que é diferente para um livro adulto?

Então, por favor, parem de ler livrinhos, ir a pecinhas e ouvir musiquinhas! Tratem as crianças com respeito. E respeitem quem dedica seu tempo a criar coisas boas para elas.

Aí embaixo tem bastante coisa boa pra ler. Esses livros são publicados por uma Editora que publica só para o público infanto-juvenil. Aproveitem!

Publicado por Editora Projeto em Sexta, 23 de março de 2018

Raquel Grabauska
Author

Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.

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