Tô ficando repetitiva, eu sei, mas tenho pensado muito nisso. A gente sempre quer o melhor pra os filhos, sempre, mas o que é esse melhor?

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Nossa, como é difícil criar filhos!

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Porque pra mim é importante ter rotina com meus filhos. Eles ficam seguros. Eu fico segura, nos organizamos melhor. Para outra pessoa, a rotina é ruim. Aprisiona, incomoda. Quem de nós está certa? As duas. Ou nenhuma. Cada família tem o seu funcionamento. Às vezes o funcionamento é caótico, mas pra eles, funciona. Minha mãe sempre me dizia: o que seria do azul se não existisse o amarelo? Quando era pequena isso não me fazia muito sentido. Mas como era a mãe falando, sabia que devia ser coisa importante.

Com meus dois filhos, percebo que precisamos mesmo ter o azul e o amarelo. E o roxo, o preto, o rosa, o vermelho… Os dois recebem o mesmo carinho, o mesmo tratamento, a mesma educação. E cada um reage de um jeito. Água e vinho. É incrível como podem ser tão semelhantes e tão distintos ao mesmo tempo. Então, se na minha casa é assim, imagina no mundo? Se na tua casa é assim, imagina no mundo? Tenho procurado ter menos certezas no mundo. Isso tira um pouco do peso. Me permite observar mais, tentar mais. Avançar e recuar, sempre tendo em vista que estamos lidando com pessoas. E que nós somos pessoas também. Erros, acertos, azul, amarelo.

Raquel Grabauska
Author

Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.

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