Finanças sempre foi uma coisa complicada pra mim. As contas eu sei fazer bem, mas administrar nunca foi o meu forte. A gente comete muitos erros, e quando se tem filhos, sabe que vai errar, que eles vão errar. Há uma vontade danada de que os erros deles não sejam os mesmos que os nossos.
Os guris ( 4 e 7 anos) andavam pedindo brinquedos. Só que o fervor do brinquedo novo era efêmero. Alguns dias e lá tava o pobre brinquedo atirado num canto.
Nesse fim de ano pedi pra eles separarem três brinquedos cada um para doarmos pra outras crianças. Quando vi, separaram quatro sacolas. E brinquedos bons, daqueles que eu quase disse para não dar. Fiquei orgulhosa deles e agradecida por me ensinarem esse tipo de generosidade.
Vínhamos dando mesada, para cada um o valor em R$ correspondente a sua idade. Mas nós mesmos, os pais, às vezes esquecíamos de dar ou facilitávamos a compra de um brinquedo.
Ao ver a quantidade de coisas adquiridas e ao vê-los mega felizes desenhando, brincando com uma caixa, brincando sem brinquedo algum, percebemos que estávamos falhando nesse quesito.
Instituímos com eles a mesada fixa, com nosso comprometimento em pagar em dia, desde que eles façam as tarefas deles na semana.
Tem funcionado bem. Essa semana meu filho mais velho me disse: “mamãe, eu vi um brinquedo que é um absurdo! R$ 119,00 por uma coisinha de nada!”. Ele tá entendendo como funciona. E seguiu: eu não vou gastar meu dinheiro nisso pra brincar um pouquinho e depois não dar bola”.
Num mundo tão consumista, sei que o caminho é longo. Eu realmente andava aflita com isso. Não sou de compras. Reaproveito muita coisa, estou sempre doando também.
Hoje mesmo entregamos para uma creche um carregamento imenso de brinquedos, roupas, panelas e outras costas que arrecadamos entre nós e com amigos.
A educação financeira passa sim pelo dinheiro, é claro. Mas tem mais que isso. Muito mais. Vamos aprendendo.

Raquel Grabauska
Author

Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.

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