Disse o presidente Jair Bolsonaro sobre trabalhar quando era criança:

“Não fui prejudicado em nada. Quando um moleque de nove, dez anos vai trabalhar em algum lugar, tá cheio de gente aí ‘trabalho escravo, não sei o quê, trabalho infantil’. Agora quando tá fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada”.

Eu poderia falar sobre a taxa de desemprego no país, que, segundo o IBGE, atingiu 12,5% e representa um número de mais de 13 milhões de adultos sem trabalho. Eu poderia falar sobre a precariedade das escolas, ou sobre a evasão escolar. Também segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de um milhão de jovens entre 15 e 17 anos, por exemplo, estavam fora da escola no ano passado. Eu poderia falar sobre tantas outras coisas.

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Meu pai sustentava nossa casa. Quando eu tinha 11 anos, ele ficou muito doente. E permaneceu doente até eu ter 17 anos, quando ele faleceu. Passou a maior parte desse tempo em hospitais, internado. A minha mãe ficava bastante tempo com ele – e eu também. Isso significa que durante um grande período da minha infância – e toda a adolescência – eu passei trabalhando e/ou em um hospital. Sem vitimismo, é só a minha história. Eu sei como é.

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Mas senhor presidente, vai chupar um prego, por favor!

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Criança precisa brincar. Criança deve brincar. É direito. É o que faz com que se cresça, é como elaboramos as ideias, é o que nos torna adultos com capacidade de aproveitar a vida. E não é aproveitar a vida fumando crack, senhor presidente. É assumindo responsabilidades, descobrindo o prazer de trabalhar.

Meus filhos brincam muito. Criamos um Espaço de Brincar para crianças. Fazemos espetáculos infantis. Podemos não ter os bolsos cheios. Mas temos ideias, criatividade e uma vontade de viver que são impagáveis.

Bônus: Relatório Estimativa Globais do Trabalho Infantil – Organização Internacional do Trabalho (OIT)

 

Raquel Grabauska
Author

Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.

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