A gente sempre quer o melhor para os filhos. Uma boa escola, que seja bonito, inteligente, se dê bem com os amigos, que tenha uma profissão interessante, seja bem resolvido. Ih, tantos quereres.

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Daí tem a vida. E faz coisas que não são o que queremos. E a gente tem vontade de brigar. E tem vezes que a gente briga mesmo. 

Só que

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Nossos filhos vão ter suas decepções. E não serão poucas. Como nós também temos. Não precisavam ser tantas, mas elas estão aí e continuarão por aí. Tenho pensado bastante nisso. O que me fez pensar mais, foi um fato que aconteceu há alguns dias. Organizei um evento num espaço privado. O espaço é pequeno. Tínhamos um número limitado de ingressos. Os ingressos foram vendidos antecipadamente e esgotaram antes do evento.

No dia, chegou uma família sem ingressos bem na hora que ia começar. Eu disse que não teria como deixá-los entrar, pois já estávamos com a capacidade máxima. Mas como era o início e as pessoas ainda estavam chegando, eles poderiam entrar, ficar uns 15 minutos e sair depois, sem custo. Pensei em suavizar um pouco, para não deixar a família e principalmente a criança, tão frustrados.

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A mãe ficou bem chateada. Me deixou bem claro que não tinha gostado e que não teria vontade de voltar outro dia. Fiquei chateada, pois queria que entrasse, não queria deixar a criança ir embora frustada… Foram

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Um tempo depois chegaram mais duas famílias. Mesma situação. Pressão. Aí a festa já havia começado e a casa estava bem cheia. Expliquei. Não adiantou. Expliquei de novo. Nada. A mãe das crianças me disse que eram só duas crianças. Expliquei que antes dos filhos dela, já havia dito não para vários outros e que seria injusto deixaá-los entrar, já que outros também não entraram. E todos que ficaram de fora não entraram apenas porque não tinha lugar.

Expliquei que quem havia comprado seu ingresso deveria estar seguro e confortável, que deveria ter lugar para as pessoas aproveitassem o evento. Que é claro que eu queria atender o maior número de pessoas, afina, isso divulga meu trabalho, é renda, é super positivo. Mas que eu tinha responsabilidade, que precisava zelar pela segurança e pelo conforto de quem já estava.

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Ela me ouviu. Pegou seu celular e começou a tirar fotos dizendo que ia falar mal, que havia sido barrada. Isso durou em torno de 40 minutos. As crianças assistindo

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Me passaram tantas coisas pela cabeça. O que estamos ensinando para nossos filhos? Como lidar com a frustração? O que fazer se o mundo não parar porque tu quer? O que fazer se acabou o sorvete de morango e só tem o de chocolate? Ou o contrário? Ou? Ou? Problemas vamos ter sempre. O que nos faz crescer é a forma de lidar com eles.

Ontem assisti um episódio de Charlie e Lola, um desenho que adoramos. A Lola estava muito frustrada porque não conseguiu entrar no cinema para assistir o “Super gato”e a sessão estava lotada. Adivinha do que lembrei?

 

Raquel Grabauska
Raquel Grabauska
Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.
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