Dia 2 de abril foi o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Dia importante, assunto importante.  Aqui no Espaço Cuidado Que Mancha, nos propomos a receber TODAS  as crianças, inclusive  autistas.

Me comoveu uma mãe que me parecia correr uma maratona atrás do filho. Ela não sossegou um minuto sequer

Porque o filho dela é diferente. Porque ele incomodava aos outros. Sim, ele incomodava. Não estamos prontos para a diferença. Me comoveu o dia em que vi essa mãe sentada pela primeira vez. Foi um dos dia mais felizes do meu trabalho. Essa criança estava brincando. Com toda a sua diferença. Ele era uma criança brincando. E essa mãe pode sentar e respirar. E sim, todas as crianças são diferentes. Assim como nós todos somos diferentes.

Tenho um a amiga querida. Ela é mãe da Alice, que tem a idade do meu filho mais velho. E mãe do Joaquim, da idade do meu filho mais novo. Sempre fomos muito próximas, acompanhei de perto o processo dela. Minha admiração e carinho só crescem.

Sim, temos um autista na família… nossa família linda e feliz sofreu esse “baque”. Hãaaa?! Como uma mãe pode falar isso? Sim, pessoal, sofremos um baque. Sofri, chorei, briguei com Deus, queria me separar, queria fugir de casa… vocês acham que uma mãe aceita o diagnóstico assim?! Tipo: “Mandaram um anjo azul para mim”. (No momento ninguém pensa e se conforma assim!) Não, não é assim!

Nós investigávamos algo “diferente” desde o primeiro ano do nosso Joaquim. Eu sentia que o desenvolvimento dele não regulava com as curvas , mas ninguém dava muita bola. Mas foi isso, busca dos melhores profissionais, exames, brigas com plano de saúde e nosso dinheiro indo porque os melhores não atendem pelo plano. Depois do diagnóstico a busca pelos direitos, mas olha… é uma luta eterna. Muda de escola, explica condição para professores, funcionários (que deveriam estar preparados mas né?! 🙄😢), encontrar profissionais dedicados e com conhecimento, tentar terapias alternativas, ficar com medo das medicações, enfrentar o preconceito, o afastamento de amigos, os olhares das pessoas, as caras feias de quem acha que uma crise é “falta de educação”, a mudança em nossa rotina, nossas prioridades. Tudo isso, tendo que dar atenção a nossa menina mais velha, trabalho, clientes, tentar não transparecer que tu está exausta, triste, magoada, marcada com as mordidas, estressada com as crises de choro e agressões.
Ainda temos uma luta grande pela frente que é o processo de alfabetização, pois hoje vejo a luta das famílias para conseguir (em colégios particulares) monitoria, currículo adaptado e nas públicas, muitas vezes, precisam entrar com processo contra o estado para obter o mínimo… verdadeiro absurdo porque as pessoas só pensam nas cifras 🤔$$$.

Mas hoje eu só tenho que agradecer… agradecer ao meu Joaquim, a família e ao maior companheiro que a vida poderia me dar, aos ensinamentos, a luta que a nossa família enfrenta todos os dias, a busca do nosso melhor, da nossa paciência, nosso “jogo de cintura”, a acreditar no potencial dele, a ver a doçura que seus olhos e gestos transmitem e nos ensinam tanto.

Por hoje e por todos os dias, busquem informações, não excluam os autistas, não lancem olhares tortos, não julguem as famílias, ensinem seus filhos sobre o diferente, sobre amizade, sobre inclusão, ajudem na conscientização e busca de direitos.

Obrigada! #tea#autismo#joaquimaos4#pelosdireitosdosautistas

A Diva, além de mãe do Joaquim e da Allice, também é uma artista incrível. Ela é a dona da Imaginar e Brincar, faz todas as fantasias, com uma qualidade impecável. E pra quem quiser acompanhar um pouco mais sobre o assunto, sugiro a leitura do Lagarta Vira Pupa. Deixo aqui uma sugestão de leitura: o livro Tom, do sensível e maravilhoso André Neves. Tom é um menino diferente.

Raquel Grabauska
Author

Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.

Comentários no Facebook