Devíamos viver na primavera. Ai, não. Na primavera tem flores, pólen, espirros, rinite. Quem sabe o verão? Brotoeja e mosquitos, não, obrigada. E se tentarmos o inverno? Nariz escorrendo, tosse, febre. Nananinã. O outono? Não me vem nada de ruim pensando no outono.

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Quero viver no outono pra sempre

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Verão é bom pra quem tá na praia. Me diz que gosta do verão e te pergunto em que praia tu estás! Ou num ar condicionado eterno. Primavera é lindo. É mesmo. Até a primeira otite do filho. É tanta alergia, tanta secreção que tu esquece das flores. E o inverno? Ficamos mais charmosos, bem vestidos. E prontos pra correr qualquer maratona, porque vestir crianças no inverno é vencer uma maratona. Uma não, duas, no meu caso.

Então, realisticamente falando, só nos resta o outono. Aquela luz, o barulho dos pés nas folhas, a temperatura nem muito quente nem muito fria. Sim, esse é o mundo ideal. O inverno sempre foi minha estação preferida. Acho gostoso o frio na pele. Gosto do vinho no frio. Mas quando chegou o primeiro filho, o inverno virou meu inimigo. Feliz com chegada do verão, não fiquei mais tão feliz depois de ter que passar protetor solar naquele corpinho que vem junto com uma goela incrível ao ter contato com aquela coisa gosmenta, mas necessária. Então eu amava a pirmavera. Até ver a quantidade de lenços de papel tentando dar conta daquele pobre narizinho.

Resumindo, por ora, preciso viver num outono eterno. Alguém me diz onde?

Raquel Grabauska
Author

Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.

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