Ontem fizemos um espectáculo lá no Espaço Cuidado Que Mancha. Era a festa de comemoração dos três anos da casa e 21 anos da Mulher Gigante. Íamos fazer na praça, mas ficou um chove/para/chove e acabam fazendo duas sessões no nosso mini-auditório. Uma casa cheia de pais e filhos. Muitos pais eram crianças quando esse espetáculo estreou. E foi lindo de ver os pais reavivando suas lembranças, a emoção tomando conta, por estar ali de novo, por estar ali mostrando o novo.

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Dia desses escrevi sobre o medo que dá quando a gente vê o filho cometer os mesmo erros que nós. E hoje acordei pensando nisso, na singeleza que é mostrar as coisas boas, construir memórias juntos. Saber que daqui a 20 anos, é disso que ele lembrarão.

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Fiquei extremamente emocionada ao ver cada fama se abraçando, cada historia que vinha ser contada pra gente, cada olho brilhando. O olho curioso de quem tava vendo a primeira vez e o olho emocionado de quem tinha visto. São tempos difíceis para a cultura. Bem difíceis. Tenho visto colegas talentosos que sofrem por não conseguir viver da sua arte. Sei o esforço que faço pra manter meu trabalho. Sei o sono que perco, os momentos em que sou menos disposta brincar com meus filhos por causa de uma conta ou orçamento. Mas dias como o de onde me fazem sentir um oásis no meio disso tudo. Agora vou esperar a festa dos 30 anos pra ver quem vai ter neto já…

E pra quem quiser fazer nosso novo trabalho nascer, segue o financiamento no Catarse.

* Foto da Cristine Rochol

Raquel Grabauska
Author

Ela respira teatro. Atriz, diretora, produtora. Coordena o grupo Cuidado Que Mancha e o Espaço Cuidado Que Mancha. Péssima cozinheira, ótima de apetite. Já fez muitas coisas legais na vida, mas nada tão legal quanto o Benjamin e o Tom, os filhos. Por causa deles, pensa a maternidade meio que o tempo todo. Essa inquieta adora viajar e tem medo de galinha – menos no prato.

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