Rogério; Orlando Lelé, Alex, Geraldo e Álvaro; Ivo Wortmann, Bráulio e Edu (o irmão do Zico); Flecha, Luisinho e Gílson Nunes Com essa escalação e comando do técnico Danilo Alvim, o América-RJ, ou melhor, America, sem acento, conquistou o título da Taça Guanabara – o primeiro turno do campeonato do Rio de Janeiro – em 1974. Essa formação entrou para a história mesmo sem ter conquistado o Estadual. E ficou para sempre na minha memória porque foi o meu primeiro time de botão.

America-RJ, em 1974, na conquista da Taça Guanabara.

Mesmo sem ter alcançado nenhum título brasileiro, o América ergue a taça do Torneio dos Campeões, organizado pela CBF, em 1982. Fez uma brilhante campanha no Brasileirão de 1986, terminando em terceiro lugar e sendo eliminado na semifinal pelo São Paulo que acabou tornando-se campeão. O curioso é que, no ano seguinte, veio a Copa União, criada pelo Clube dos Treze, e o America ficou fora da elite. Como protesto, negou-se jogar em qualquer outra divisão. E essa decisão marcou o início do fim. Mesmo com a abnegação de fanáticos dirigentes e torcedores, o time nunca mais foi o mesmo. Nunca retomou o tamanho. Tanto que na recente disputa de duas vagas no Módulo Especial, ficou fora do Carioca, ficando atrás de Portuguesa e Macaé e perdendo uma das duas vagas.

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E sabe do que mais? Eu também não tenho mais o meu time de botão

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Menos glorioso foi o SAAD. O time de São Caetano do Sul disputou o Paulistão de 1974 e depois despencou. Fechou o departamento de futebol profissional, ressurgiu com força no futebol feminino, montou um projeto numa das ligas norte-americanas, mas poucos se lembram de que esteve entre os grandes de São Paulo. Algo parecido aconteceu com o CEUB. O Centro Esportivo Universitário de Brasília tornou-se CEUB Futebol Clube e jogou o Brasileirão de 1973. O time teve uma vida efêmera, mas pelo menos serviu para iniciar a história do futebol no Distrito Federal.

Mais antigo e muito mais glorioso, o Grêmio Esportivo Renner desbancou Grêmio e Inter e faturou o Gauchão de 1954, colocando em evidência o goleiro Valdir de Morais e o meia Ênio Andrade. Mas o time das empresas Renner foi extinto em 1957. Também no Rio Grande do Sul vale a pena resgatar o 15 de Campo Bom. O clube existe desde 1911. Por muito tempo dedicou-se ao futebol amador, mas ganhou notoriedade quando se profissionalizou e, por muito pouco, não fez algo parecido com o Renner. Foi vice-campeão gaúcho em três ocasiões: 2002, 2003 e 2005 e em todas as edições perdeu o título para o Inter. O 15 de Campo Bom, como clube social, continua firme. Já o departamento de futebol profissional tenta se reerguer e existe a possibilidade de disputar a Terceira Divisão em 2020.

Grêmio Esportivo Renner, em 1953

Quem também tenta se reerguer é o São Caetano. O Azulão surgiu em 1981 e, praticamente no mesmo período,  fez um sucesso ainda maior que o 15 de Campo Bom. Foi vice-campeão brasileiro em 2000 e 2001, ficando atrás de Vasco da Gama e Athletico Paranaense. Perdeu a Libertadores de 2002 para o Olímpia. Mas, ao menos, conseguiu garantir o Paulistão de 2004. O time que já teve Adhemar, Mineiro, Marcos Senna, Serginho e tantos outros, foi rebaixado no Paulistão de 2019 e prepara-se agora para encarar a Série A-2.

A “segundona paulista” é também endereço da Portuguesa de Desportos. Longe dos dias de glória, a Lusa tem uma dívida gigantesca e luta pela sobrevivência. Corre o risco inclusive de perder o estádio do Canindé. E nós sabemos que, caso isso aconteça, a história não terá mais volta. Um time que revelou talentos como Félix, Zé Maria, Marinho Perez, Leivinha, Enéias e Dener, atualmente é um rascunho do que já foi. Campeã paulista de 1973, a Portuguesa fez uma final histórica contra o Santos de Pelé e acabou dividindo o título porque o árbitro Armando Marques enganou-se nas cobranças de pênaltis e deu a vitória ao Peixe antes da hora. Em 1985 chegou à final novamente, mas perdeu para o São Paulo. E a sua última grande façanha aconteceu em 1996 quando decidiu o Brasileiro contra o Grêmio e acabou ficando com o vice-campeonato. O time tinha Clemer, Valmir, Emerson, César e Carlos Roberto, Capitão, Gallo, Caio e Zé Roberto, Alex Alves e Rodrigo Fabri.

O inferno da Lusa começou em 2013 quando a equipe, em uma situação muito mal explicada, utilizou o jogador Heverton de forma irregular, perdeu pontos, acabou rebaixada e livrou o Fluminense da Segundona.

Assim como a Portuguesa e o America, o Bangu é um time querido e histórico, Já não tem mais o apoio da fábrica de tecidos que impulsionou o futebol e abriu caminho para a presença de negros e operários no futebol. Não tem também mais ídolos do peso de Domingos da Guia e Zizinho. Também não tem mais o dinheiro do bicheiro Castor de Andrade, patrono do clube, que financiou a montagem da equipe que em 1985 chegou ao vice-campeoanto brasileiro e ao vice carioca. Mas pelo menos mantém o seu lugar na Primeira Divisão do Rio de Janeiro e sonha com dias melhores.

Dias tão promissores como os que vive o Bragantino, ou agora, Red Bull Bragantino. O campeão paulista de 1990 e vice brasileiro de 1991, cedeu seu nome e sua estrutura para montar uma parceria com a multinacional de energéticos que, agora, coloca em prática, aqui no Brasil, o mesmo modelo que utiliza na Europa com o Leipzig, da Alemanha, e o Salzburg, da Áustria. A fase onde brigava com dificuldades para manter-se na Série B do Brasileiro é passado. O projeto montado em Bragança Paulista torna-se o sonho de consumo de praticamente todos os times do futebol brasileiro, e principalmente daqueles que já foram gigantes e hoje são espantalhos que não assustam mais ninguém.

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