A última rodada do Brasileirão não foi emocionante. A única definição importante era para saber quem acompanharia Avaí, Chapecoense e CSA rumo à Série B: Cruzeiro ou Ceará. E coroando uma temporada de inúmeros erros administrativos e uma vertiginosa queda de rendimento, o Cruzeiro caiu.

Não foi o Ceará que se salvou. Não. Foi o Cruzeiro que caiu. Digo isso porque Argel Fucks, mesmo que tenha dito que “missão dada é missão cumprida”, não consegiu fazer o Ceará caminhar com as próprias pernas. Afinal, o Vozão, desde que resolveu tirar o treinador gaúcho do CSA, só conseguiu dois pontos nas três últimas rodadas. Começou empatando com o Athletico em casa. Perdeu para o Corinthians também no Castelão. E na última rodada empatou com o Botafogo no Engenhão. Tá certo que, com o pontinho conquistado na última rodada, de nada adiantava o Cruzeiro vencer no Mineirão. Mas a verdade é que o Ceará deu muita sopa para o azar.

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O problema é que o Cruzeiro foi muito imcompetente. Não só na reta final. Mas ao longo de todo campeonato. Dentro e fora de campo

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A direção cumpriu todo roteiro que nós, gaúchos, havíamos visto o Inter percorrer em 2016. Acusações, desvio de dinheiro, contratações equivocadas, repetidas trocas de treinador e um grupo demsobilizado. Para ser mais parecido com o que fez o Inter na administração Píffero, só faltou contratar o Ariel ou tentar o empréstimo do Paulão.

Esse festival de equívocos manchou a história de um time glorioso que revelou Tostão, Piazza, Dirceu Lopes, Nelinho, Palhinha, Joãozinho e muitos outros craques que nunca disputaram uma segunda divisão. O Cruzeiro sempre foi time de ponta. E agora vai penar uma temporada na Série B, lambendo as suas feridas como tantos outros grandes já fizeram.

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Mas a imagem que fica dessa queda do Cruzeiro, não verdade não é uma imagem. É um som
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Foi triste e constrangedor acompanhar o jogo de domingo após o primeiro gol do Palmeiras marcado por Zé Rafael. Depois que o Cruzeiro sofreu o primeiro gol, boa parte da torcida esqueceu o jogo e partiu para a briga, depredação e violência. O policiamento precisou entrar em ação para evitar algo pior. E o jogo passou a ter uma sonoplastia de tiros, bombas e explosões. Enquanto um desanimado Cruzeiro tentava correr atrás de um milagre, que não veio, sua torcida estava dividida em duas partes. Uma querendo quebrar o estádio.  E outra, atendendo o pedido do sistema de alto-falantes, buscando os portões de saída para salvar a própria pele.

Triste cena de um campeonato que teve muita coisa boa. Mas que terminou sem graça, nem emoção. Só com o barulho da queda de um gigante.

 

Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

Geórgia Santos
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Jornalista, radialista, cientista política e uma viajante inveterada. Tem uma relação de amor com a comida. Gringa, não recusa um vinho e uma polenta. Fez da viagem um objetivo de vida. Lisboa é um dos seus lugares preferidos no mundo, embora as melhores histórias estejam na Itália.

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