Mesmo em lados opostos do balcão, sempre mantive uma ótima relação com os assessores de imprensa, independente de governo ou empresa. Também já “briguei” muito com assessor que não concordou com minha abordagem ou esperava pauta “chapa branca”, aquela que não problematiza. Mas tudo sempre baseado em muito respeito. Inclusive tenho amigos em assessorias que fiz depois de muito bater boca por causa de pauta.

Quando digo que “briguei”, por favor, entendam como “discuti com classe”. Inclusive vale um adendo: só perdi a calma uma vez, e foi no ar, ao vivo, com os chefes me olhando, porque o dono de uma empresa que eu provei que estava cometendo um crime tentou desqualificar meu trabalho.

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O fato é que nem sempre a sugestão que uma empresa faz à redação é pauta e nem sempre o assessor entende isso. A diferença está no que a gente faz com este entendimento divergente sobre o que é ou não notícia

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Semana passada recebi dados de uma pesquisa sobre a saúde dos caminhoneiros. Pedi pra enviarem mais informações sobre o assunto e usei em uma reportagem com os devidos créditos. Só que a pauta virou pra outro lado, foi ampliada, ganhou relevância nacional e acabei usando os dados da pesquisa para mostrar umas das consequências das dificuldades que os motoristas enfrentam em cumprir a lei por falta de estrutura nas estradas.

Eu não fiz a matéria conforme a empresa ofereceu. Eu não responsabilizei a empresa por nenhum dos problemas relatados. Eu não usei a empresa como case de bom exemplo porque ela é uma entre tantas outras Brasil afora. Por isso busquei entidades representativas e o governo federal.

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Mas o assessor de imprensa não gostou que não acatei a sugestão por completo. Veio me questionar, me esculhambou e disse que minha matéria é mentirosa

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Pra piorar, mandou uma sequência interminável de Whatsapps tentando interferir na condução da matéria e me convencer da abordagem que ele considerava correta. Depois de dizer que editor, chefe de reportagem e coordenador leram e ouviram a matéria, me limitei a um “ok”, ou então estaria até agora sendo esculhambada.

Desculpa, colega, mas o conceito de notícia é relativo e respeito sempre é bom, obrigada.

Renata Colombo
Author

Saiu de Porto Alegre e antes de invadir os estúdios da Rádio CBN, em São Paulo, trabalhava como repórter de política em Brasília. Possui 14 prêmios e é a única no rádio brasileiro a receber o prêmio Rey de España. Com um pé na Alemanha, adora uma cerveja se considera livre, leve e solta.

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