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Haja esperança para os difíceis tempos políticos que atravessamos. Já parecia que todas as regras do jogo estavam viradas. As eleições de 2017, no entanto, mostraram que a política (ainda) não é bem assim.

As eleições deste mês demonstraram que Trump não é imune à sua impopularidade histórica e os efeitos que causa no seu partido. Em vários estados, os democratas ganharam em grande em concorrências locais e estaduais. Isso foi especialmente o caso no estado da Virgínia, onde o Partido Democrata quase tem virado a Câmara dos Delegados—impensável antes da eleição.

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Os resultados seguiram as tendências das sondagens

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Dadas as perdas do ano passado, porém, apoiantes estavam nervosos com a possibilidade de mais surpresas. Em vez disso, ganharam campo em estados mais alinhados com a base como a Virgínia. Fizeram progresso em território mais difícil, como os estados da Geórgia, Montana e a Carolina do Sul. Longe de recuar, o Partido Democrata parece ter consolidado a sua posição antes das eleições de meio de mandato de 2018.

Na eleição para governado da Virgínia, o candidato republicano tentou usar táticas ao estilo de Trump nas propagandas enquanto mantinha um perfil mais razoável em atos da campanha. A estratégia deu errado. Se as novas regras do jogo eram a favor de um sensacionalismo ao modo de Trump a qualquer custo, os votantes da Virgínia não deram bola. Apesar dos seus defeitos, o candidato democrático conseguiu ganhar com quase 9 por cento mais de votos.

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A fórmula não foi um elixir perfeito

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A política, como a maioria das ciências sociais, é uma de descobrir tendências ao longo do tempo em vez de revoluções isoladas. O que sabemos da política dos Estados Unidos é que o partido do presidente geralmente está em desvantagem nas eleições especiais e de meio de mandato. Também sabemos que quanto mais baixa seja a aprovação do presidente, melhor tende a sair a oposição na próxima volta de eleições. Como prova oficial, essas eleições demonstraram que até na era de Trump, a hipótese continua válida.

Que uma campanha bombástica de clichês populistas e alarmismo não resultou com os votantes da Virgínia deve deixar em questão como foi que a fórmula resultou para Trump. O Partido Republicano enfrenta grandes desafios nas próximas eleições. A questão se deve ou não adotar o trumpismo e seguir a todo o gás com esse estilo de populismo tóxico, ou bem mudar de táticas e aceitar uma política pública mais popular, é hoje uma questão mais aberta que nunca.

Imagem: Ben Shafer
Sacha
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Americano que saiu de Lisboa para morar em Barcelona. Ensina comida, cultura e língua portuguesa em vídeos. Produz o podcast Bottom of the Mainstream, focado em temas LGBT. Filólogo por opção, formado em Estudos Russos e Ciência Política pela Universidade do Colorado e a Universidade Católica Portuguesa. Não cansa do estilo de vida mediterrâneo.

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