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Esta semana parece ter-se confirmado o caso de colusão da campanha Trump. Ninguém menos que o filho do presidente, Donald Trump Jr., divulgou uma série de emails em que se revela disposto a receber informações ilícitas sobre Hillary Clinton vindas de agentes russos. Sem sequer considerar o que havia por trás da oferta de informação, Trump Jr. responde com um simples “adoro isso.” Adorou tanto que não lhe importava a negligência de ética em aceitar o que foi apresentado. Adorou tanto que nem tentou esconder a troca. Entre o tanto barulho após o tweet revelador, há quem o classifique como alta traição. Agora só falta ver quais serão as repercussões legais.

Voltamos uns passos. Embora a revelação dos emails seja uma evidência clara de conluio, o caso ainda não tem processo judicial pendente. Até a publicação da íntegra dos emails, a informação foi vazando à imprensa pouco a pouco. De tal modo que Trump Jr. se viu obrigado a tentar controlar os danos possíveis, publicando a informação incriminatória de vez. Por uma campanha centrada num escândalo do servidor privado dos emails de Hillary, este escândalo resulta mais surreal ainda.

Num Congresso tão ineficaz como vem sendo, não há margem para contemplar o abandono total do projeto

 

Muitos representantes republicanos negavam a ligação entre Trump e a Rússia antes do caso dos emails. Reservavam comentários sobre o caso para informação nova e concreta. Agora tendo-a em mão, muitos ainda recusam a proclamar sobre as possíveis ligações Trump-Rússia. Eis o problema.

Caso confirmado, este escândalo seria uma violação de ética e comportamento político sem precedentes nos Estados Unidos. Nem Watergate chegou a ser tão flagrante quanto o que vemos agora. Ainda assim, o estabelecimento republicano continua hesitante. O motivo? Não querem desacelerar o já lento ritmo de legislação.

Visto que o ciclo político aponta para uma perda provável do controle absoluto da legislação nas eleições de 2018, os republicanos não estão dispostos a interferir na oportunidade única que têm para passar os seus projetos de lei mais importantes. O procedimento de destituição do presidente não só parava a atividade do executivo, senão toda a agenda legislativa. Num Congresso tão ineficaz como vem sendo, não há margem para contemplar o abandono total do projeto. Nem quando a evidência se empilha.

Imagem: John evans
Sacha
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Americano que saiu de Lisboa para morar em Barcelona. Ensina comida, cultura e língua portuguesa em vídeos. Produz o podcast Bottom of the Mainstream, focado em temas LGBT. Filólogo por opção, formado em Estudos Russos e Ciência Política pela Universidade do Colorado e a Universidade Católica Portuguesa. Não cansa do estilo de vida mediterrâneo.

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