Nesta semana, “golpe não vai ter”

No dia oito de janeiro de 2023, os brasileiros assistiram estarrecidos a um espetáculo de barbárie na forma mais pura. A materialização da ignorância se deu em Brasília em um domingo vazio de gente e idéias quando cerca de 6 mil pessoas invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal.

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As sedes dos três poderes foram destruídas por bolsonaristas

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E aqui eu faço questão de ressaltar algo: o bolsonarismo é radical por essência. Bolsonarismo radical, portanto, é redundância. Isso significa que, aqui, pra gente, as pessoas que cometeram toda sorte no final de semana serão chamadas de golpistas.

Os golpistas destruíram muito mais que janelas e cadeiras, a tentativa era desmantelar a materialidade da democracia brasileira. Destruir o parlamento, a réplica da Constituição de 88, rasgar obras de arte, urinar e defecar em objetos da casa povo, tudo isso é uma tentativa de enfraquecer o tecido social e institucional da democracia brasileira. Mas eles fracassaram.

Apesar da conivência do governo do Distrito Federal e da policia militar, os golpistas fracassaram. Ainda no domingo, o presidente Lula decretou intervenção federal e o Ministro Flávio Dino tomou as rédeas da situação. Alexandre de Moraes decretou a prisão do que até aquela tarde era secretário de segurança, Anderson Torres, e o afastamento do governador do DF, Ibaneis Rocha. O presidente se manifestou ainda no domingo deixando claro que todos seriam punidos e dando nome aos bois, com o perdão do trocadilho. Ou não.

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Na segunda-feira, dia 09, Luiz Inácio Lula da Silva disse em alto e bom que golpe não vai ter

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No mesmo dia, reuniu os governadores e representantes dos três poderes para um manifesto em prol da democracia. E todos, de braços dados, se dirigiram ao STF em um recado que é mais que simbólico.

A apresentação é de Geórgia Santos. Participam Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.

 


Foto: Ricardo Stuckert

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Jornalista, radialista, cientista política e uma viajante inveterada. Tem uma relação de amor com a comida. Gringa, não recusa um vinho e uma polenta. Fez da viagem um objetivo de vida. Lisboa é um dos seus lugares preferidos no mundo, embora as melhores histórias estejam na Itália.