Estou passando por uma daquelas datas balizadoras de angústias e projeções. A produtora está completando dez anos e reacendendo a sensação do incômodo em mim. Pra quem acha isso ruim, pra quem não gosta de perder o sono, lamento dizer, mas esses marcos são fundamentais, por sua capacidade de gerar autocrítica. Essa inquietude é que faz a roda girar.

Dessa década andando como nossas próprias pernas – e dando inúmeros tropeços – colocamos a nossa cara para um sem número de produções. Mas fomos relevantes? Para saber essa resposta, é preciso definir uma forma de medir relevância. Bom, se estamos falando em medir, significa que são números que vão me dizer o quão relevante fomos e somos.

Seria o alcance orgânico dos nossos vídeos o fator determinante? Views, compartilhamentos ou outros dados analíticos de redes sociais? Não creio. Isso pode me dizer que conseguimos atiçar a curiosidade das pessoas ou alcançar um nível estético e narrativo que desperta interesse.

Quem sabe a relevância esteja no tamanho dos clientes que conseguimos trabalhar, e na substancialidade dos orçamentos para os projetos desenvolvidos? Isso é essencial, ou não teríamos chegado aos dez anos. Mas é engrenagem, não relevância.

Talvez seja preciso esmiuçar um pouco mais o questionamento; mais do que ser relevante, me inquieta a dúvida de ter sido relevante PRA QUEM?

Mais algumas viradas na cama e tenho a certeza que a resposta não é “para os seguidores”, “para os clientes” ou “para o gerente do banco”. Não diretamente, ao menos. Possivelmente por reflexo ou consequência. Esse tipo de relevância, para terceiros, é efêmero e serve perigosamente de alimento para um monstro chamado ego.

Em tempos de Analytics, os dados realmente determinantes são o número de vezes em que deitei com frio na barriga repassando cada detalhe da produção do dia seguinte; o número de insights de melhores planos no meio do sono, ou cada vez que levantei determinado a fazer o meu melhor naquele projeto.

É isso, somos relevantes; pra mim. E é isso que importa no final das contas. É ter um propósito, e se reinventar dentro dele a cada dia, para que a inquietude perdure por mais uma década.

Imagem: br.freepik.com/fotos-gratis/retrovisor-da-mulher-triste-ao-lado-da-janela_974075.htm

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