Já até vejo os jornais falando da festa da democracia. Piada. Na melhor das hipóteses, neste 2018, temos uma bela de uma festa da hipocrisia. Em que um homem preconceituoso e despreparado passará ao segundo turno como o preferido dos cidadãos brasileiros. Um homem machista, homofóbico e xenófobo que passará como um homem tolerante e do povo. Um homem corrupto que passará como honesto. Um homem que está na política há 30 anos e passará como novo. Um homem que sempre fez mais do mesmo e passará como diferente. Um homem autoritário que passará como democrático.

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Agora me digam, se não é uma bela de uma festa da hipocrisia?

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E tudo a pretexto do medo subjetivo de um partido, o medo mentiroso e sem cabimento de o Brasil virar a Venezuela. Que preocupação com a corrupção é essa, se não se importa com o fato de ele usar auxílio moradia pra “comer gente”?

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Que preocupação com a corrupção é essa que desaparece na hora de votar no PP, o partido mais investigado na Lava Jato? Que preocupação com a corrupção é essa que desaparece na hora de votar em qualquer outro partido?

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Que sexo é esse que ensinam nas escolas que a maioria desses machões não sabe nem onde fica o clitóris?

Que doutrinação esquerdista é essa que produz uma geração de adoradores da Ditadura Militar?

Que doutrinação é essa, que as pessoas sequer sabem o que é socialismo ou foi quem foi Marx?

 Que “marxismo cultural” é esse, tão difundido, que criou uma geração que vai eleger um cara que insulta homossexuais, mulheres, negros e imigrantes? O tal do politicamente correto não está sufocando a todos, afinal de contas, nesse mundo chato?

Que defesa da família é essa, que vem do cara que não quis registrar o filho?

Que valores são esses, que vem do cara que quase bate a cara no poste pra olhar pra bunda de uma adolescente?

Que cristão é esse, que quer matar?

É uma bela de uma festa da hipocrisia, isso sim.

 

Geórgia Santos
Author

Jornalista, radialista, cientista política e uma viajante inveterada. Tem uma relação de amor com a comida. Gringa, não recusa um vinho e uma polenta. Fez da viagem um objetivo de vida. Lisboa é um dos seus lugares preferidos no mundo, embora as melhores histórias estejam na Itália.

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